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	<title>Novas Frequências 2014 &#187; ashley paul</title>
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	<description>Rio de Janeiro New Music Festival</description>
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		<title>Entrevista: Ashley Paul</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Nov 2014 19:39:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[midia]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[ashley paul]]></category>

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		<description><![CDATA[Entrevista por Bernardo Oliveira (crítico e professor de filosofia, co-produtor do Quintavant) É inegável que <a href="http://novasfrequencias.com/2014/entrevista-ashley-paul/">Read more</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://novasfrequencias.com/wp-content/uploads/2014/11/Ashley-Paul-924x609.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-2766" src="http://novasfrequencias.com/wp-content/uploads/2014/11/Ashley-Paul-924x609.jpg" alt="Ashley-Paul-924x609" width="924" height="609" /></a></p>
<p><iframe src="//player.vimeo.com/video/107579945?color=ffffff" width="500" height="281" frameborder="0" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Entrevista por <a href="http://materialmaterial.blogspot.com.br/" target="_blank">Bernardo Oliveira</a> (crítico e professor de filosofia, co-produtor do <a href="https://www.facebook.com/quintavant" target="_blank">Quintavant</a>)</em></p>
<p style="text-align: justify;">É inegável que o trabalho da cantora e <em>performer</em> norte-americana Ashley Paul se tornou mais conhecido recentemente, sobretudo a partir do álbum <em>Line The Clouds</em>, lançado em 2013. Eleito pela crítica anglo-saxã como um dos discos daquele ano, Paul se projetou para além do circuito de improvisação de Nova Iorque, graças a seu talento particular na utilização da voz incorporada ao improviso. Repleta de costuras abstratas entre a voz e um amplo espectro de instrumentos (saxofone, clarinete, guitarra, percussões), a música de Ashley Paul desenvolve “canções intuitivas”, aparentemente entoadas ao sabor do acaso, mas com a firmeza de quem tem plena consciência do que está fazendo.</p>
<p style="text-align: justify;">Residente em Nova Iorque, Paul já teve a oportunidade de trabalhar com uma série de grandes nomes vinculados à experimentação sonora, como Phil Niblock, Rashad Becker, Aki Onda, C. Spencer Yeh, entre outros. Seu novo álbum, <em>Heat Source</em>, foi gravado entre Nova York e Londres durante um período de fortes experiências pessoais, ocasionando um efeito curioso: composto por voz, sopros e elementos percussivos, <em>Heat Source</em> é preenchido por silêncios e elementos abstratos, exibindo a faceta mais conceitual do trabalho de Paul.</p>
<p style="text-align: justify;">Reproduzimos abaixo uma entrevista realizada com a artista por email, na qual ela responde a algumas perguntas pontuais acerca do seu trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8212;-</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Gostaria que você falasse um pouco sobre sua formação e, particularmente, como chegou a essa combinação original de composição e improvisação?</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Eu cresci submersa em música e arte. Estudei piano clássico a partir dos três anos e saxofone aos dez. Meu pai toca violão, minha irmã toca piano e canta e minha mãe é pintora. Estudei improvisação a sério por muitos anos e, tomando contato com esse universo, fui me tornando cada vez mais interessada em música contemporânea, tanto a música para concerto como a música popular.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Em um texto no seu site, você descreve sua música como a combinação de “canções intuitivas” e “forma livre”. Como você desenvolve suas “canções intuitivas”?</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Tudo acontece no momento da composição e da gravação. O ato de compor e gravar é um processo rápido. Tenho um sentimento ou uma idéia e os instrumentos estão ao redor. Então, eu começo a buscar para onde essa intuição me leva. Geralmente trabalho rápido no processo de gravação, justamente para permitir que, ao invés de pensamento cognitivo, a intuição seja a força motriz da minha música.</p>
<p style="text-align: justify;">Cada peça é um “instantâneo” do momento em que foi feita. Dito isso, eu sou um pouco perfeccionista. Depois que o improviso é gravado, passo inúmeras horas automatizando e editando o material, manipulando trechos, selecionando um único ataque de timbre, regulando alturas, definindo um <em>crescendo</em>, destacando pequenas partes da música que foi gravada.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Ao mesmo tempo percebemos um aspecto conceitual na composição que obriga os intrumentos a dialogarem com a voz. Você concebe as dinâmicas de ritmo e melodia antes ou durante a gravação/performance?</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Tudo acontece ao mesmo tempo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Penso que categorias como modal e atonal não se aplicam ao modo livre com que você constrói a harmonia. Como você definiria o emprego da harmonia em seu trabalho?</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Tenho a informação teórica armazenada por conta de muitos anos de estudo. Agora, simplesmente penso no som e no sentimento que quero expressar e tento elaborar e criar a paleta de sons que está na minha cabeça. Nunca penso em progressões harmônicas ou teoria, mas sem dúvida esse conhecimento teórico afeta e sustenta tudo o que faço.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>A sua utilização da voz se dá de forma ambígua: a voz como o centro da canção; e a voz utilizada como instrumento. Gostaria que falasse um pouco sobre essa tensão.</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Eu cresci estudando saxofone, de modo que, por muitos anos, percebi a música a partir da perspectiva de um instrumento melódico. Como cresci e comecei a ter meus próprios pensamentos sobre a criação musical, me tornei mais interessada em outros modos de tocar o saxofone. Tornei-me mais interessada em usá-lo texturalmente e harmonicamente. Essa perspectiva tem influenciado a forma como me aproximo de todos os instrumentos, incluindo a voz. Eu não vejo a voz como o centro da composição, não mais do que qualquer outro instrumento que uso. Para mim eles estão no mesmo registro. A voz é um instrumento que cria apenas um som em uma vasta paleta de sons que estou interessada em usar.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Preenchido por momentos silenciosos e elementos abstratos, Heat Source parece mostrar a faceta mais conceitual do trabalho. Fale um pouco sobre como esse trabalho foi elaborado e produzido.</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Foi um ano emocionalmente intenso. Muitas viagens, mágoas pessoais e novos relacionamentos. Eu não estava tentando representar isso no trabalho de forma consciente, mas, sem dúvida, afetou aquilo que foi criado. Fazer música é um processo muito pessoal para mim. Agora eu realmente posso dizer que toco as peças enquanto gravo. Além disso, intensificar a quantidade de apresentações ao vivo teve um impacto sobre a forma como eu concebo cada música. Há tanta coisa interessante que eu posso produzir sozinha em um ambiente ao vivo (sem o uso de aparelhos eletrônicos).</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Um aspecto interessante de seus álbuns anteriores a Heat Source são as percussões. Fale um pouco sobre o caráter abstrato (e eventualmente agressivo) do emprego das percussões.</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Hah. Eu escolho os instrumentos por causa das texturas e sons que eles podem criar. Eu não sou uma percussionista e, assim, o modo como eu toco instrumentos de percussão é afetado por isso. Eu acho que a luta que eu tenho com os instrumentos é empolgante e libertadora, pois me permite falhar e me deliciar com isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Em uma entrevista no ano passado, você declarou: “A música é minha fuga da realidade.” Para onde você vai quando toca, compõe e produz?</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Me volto para dentro de mim mesma.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Quando ouço seus discos, particularmente, penso em pintura e literatura que trabalham com o tempo subjetivo — Proust, Malevitch. Quais suas influências extra-musicais?</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mark_Rothko">Rothko</a>, minha mãe, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Richard_Brautigan">Richard Brautigan</a>, bons amigos, jardinagem, vagar por aí&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Por fim, como funcionam suas apresentações? São puramente improvisadas? Ou você dialoga com temas e ideias contidas nos discos?</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Cada performance é totalmente planejada e bem estruturada. Existem espaços construídos para a improvisação, bem como temas e músicas do material gravado. Acho que se eu planejo de forma precisa, tenho mais liberdade para trabalhar dentro da estrutura no momento da apresentação. Além disso, meu set-up é logisticamente complicado, pois quase sempre estou tocando vários instrumentos ao mesmo tempo. Então, preciso planejar para controlar o modo como isso afetará o fluxo como um todo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8211;<br />
<a href="https://www.facebook.com/events/1490055567940525/" target="_blank">Ashley Paul</a></strong><a href="https://www.facebook.com/events/1490055567940525/" target="_blank"> se apresenta dia <strong>01/12</strong> na <strong>Audio Rebel</strong> </a><br />
Ingressos a venda em: http://bit.ly/1qIJepV</p>
<p><iframe src="//player.vimeo.com/video/62787156" width="500" height="375" frameborder="0" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen></iframe>
<p><a href="http://vimeo.com/62787156">Ashley Paul &#8211; Sail</a> from <a href="http://vimeo.com/thewiremagazine">The Wire Magazine</a> on <a href="https://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
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