Novas Frequências 2014

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Por Bernardo Oliveira (crítico e professor de filosofia, co-produtor do Quintavant)

Engenheiro de som, artista sonoro e compositor alemão de origem síria, Rashad Becker iniciou seus trabalhos com música ainda na década de 80. Em seguida, investiu em outros interesses, ingressando em uma escola de belas-artes e em um curso de medicina. Até que seu nome se tornou sinônimo de qualidade e competência técnica através de seu trabalho como engenheiro de corte e masterização de vinil no lendário estúdio Dubplates & Mastering de Berlim. Becker também dirige seu próprio estúdio, Clunk, contribuindo para a resolução sonora de uma gama monumental de artistas. Assinou a masterização de mais de 1200 trabalhos de nomes importantes como Masami Akita (Merzbow), Russell Haswell, Jaki Liebezeit, Plastikman, Ricardo Villalobos, Fantômas, Melt Banana, Florian Hecker, etc. “Eu gosto de estar cercado por linguagens que eu não compreendo”, afirmou Becker em entrevista à revista Wire no ano passado. De fato, sua trajetória indica um espírito exploratório sedento por novas experiências, técnicas e estéticas.

Em 2013, Becker lançou Traditional Music Of Notional Species Vol. I, seu primeiro disco solo, editado pelo selo alemão PAN, dirigido por seu parceiro Bill Kouligas. O álbum trazia um diálogo com ideias sonoras radicais, como se tateasse formas rítmicas alternativas aos compassos habituais. Texturas alienígenas e acidentadas, repletas de explosões, estalidos, fricções e outros distúrbios sonoros, ensaiam os cantos tradicionais de um povo imaginário. Na entrevista abaixo, realizada por email, Becker explica quem são as “espécies nocionais”, como seu trabalho técnico se relaciona com seu trabalho autoral, entre outros assuntos. (B.O.)

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É verdade que você iniciou seus trabalhos com música ainda na década de 80. Quais eram suas influências nessa época? Como soavam esses primeiros trabalhos?

É verdade. Minhas influências durante essa época eram o lado mais cru, diletante, atonal e não-machista do punk e do hardcore, as peças grotescas e peculiares da eletrônica alemã, o industrial britânico e algumas das coisas que eu acredito que posso me referir como “música de artista” ou música livre. Basicamente, o meu interesse principal se voltou para um tipo de música que conseguiu incorporar o conteúdo extra-musical, transformando-a em linguagem musical de uma forma não-didática, principalmente política, mas também obscura… Depois de tocar em algumas bandas de punk e hardcore, comecei a trabalhar com gravadores multitrackers, um Atari, um sampler e um dos synths eu ainda uso. O resultado foi bastante “narrativo” naquela época: peças longas, com muitas subseções e muitas referências à música industrial.

Em 2013, você lançou seu primeiro disco autoral, Traditional Music Of Notional Species Vol. I. Como nasceu e se desenvolveu esse trabalho? Foram anos coletando ideias ou elas surgiram mais recentemente?

Foram anos tentando encontrar um método para escrever música no qual eu pudesse me agarrar. Houve vários momentos controversos, mas uma vez encontrei uma estratégia de modo que a música surgiu muito rapidamente. Então, fui refinando as composições e a forma de situá-las em um conjunto coerente, tocando-as ao vivo por alguns anos.

Li a frase a seguir em uma entrevista para a Wire: “Você tem que saber o que você quer capturar antes de posicionar um microfone.” O que vem primeiro, a técnica ou a imaginação? O know-how técnico garante aquilo que a imaginação concebe?

Eu acho que podemos trabalhar com ambos os cenários, tanto a imaginação subjugada à tecnologia ou o contrário. Acredito que a história da música está repleta de exemplos em que a tecnologia disponível deu forma ao método de se escrever música. Mas também, obviamente, o contrário. Acredito, por exemplo, que o órgão nasceu da idéia dos compositores barrocos de incorporar notas prolongadas. Eles também não estavam tão interessados em dinâmica, daí nasceu o cravo. Mas quando o piano apareceu no final dos dias da vida de Bach, ele começou a incorporar a dinâmica dos pianos em suas obras.

Eu acho que isso poderia ser infinitamente discutido, mas sempre haverá algum tipo de informação mútua entre o método e tecnologia.

No entanto, o que eu queria expressar nessa entrevista é que eu acho que você deve ter uma idéia ou uma visão sobre que tipo de ficção que pretende produzir antes de se envolver com a tecnologia. A tecnologia vai necessariamente reformular a narrativa que você colocou em uma determinada ordem. Diante da forma como as plataformas digitais são construídas hoje em dia, se você mergulhar na tecnologia sem uma visão particular da música vai acabar colocando os mesmos sons nas mesmas estruturas e paisagens sonoras. As ferramentas são tão especializadas e conveniente que podem te empurrar para a conformidade.

Como engenheiro de corte e masterização de vinil no lendário Dubplates & Mastering de Berlim e diretor de seu próprio estúdio (Clunk), você contribuiu para a resolução sonora de uma porção de artistas. Como essa experiência técnica contribuiu em termos artísticos para Traditional Music Of Notional Species Vol. I? Como você define sua posição entre produção técnica e artística?

Acredito que esses dois campos são praticamente independentes um do outro. Trabalhar com as músicas de outras pessoas em qualquer estágio da produção envolve uma forma totalmente diferente de ouvir/escutar do que aquela que envolve o ato de se escrever uma música. Se eu estiver trabalhando na música de outro artista, o meu gosto realmente não entra em cena, muito menos a minha identidade cultural. Com relacão à música que faço, em um nivel técnico, gosto de criar com minhas próprias mãos os locais aptos a receberem minha musica, tenho muito cuidado com esse aspecto, pois salas com muita reverberação não são adequadas. Também não há a mesma obrigação em finalizar um trabalho autoral, da mesma forma como se deve finalizar um trabalho profissional. Quando estou trabalhando, me encontro em um estado de espírito muito diferente. Nesse sentido, não acho que haja uma posição entre essas duas dimensões, técnica e artística. Mantenho o meu trabalho distante da minha música da mesma maneira que mantenho a minha cultura fora do meu trabalho.

O álbum desenvolve formas rítmicas alternativas aos compassos habituais. Os timbres e harmonia também são estranhos, sem referências no universo sonoro contemporâneo. Você gostaria de ressaltar alguma técnica ou equipamento em particular que viabilizou esse universo particular de sons?

Meus ouvidos, eu acho… Minhas idéias sobre o que eu gosto… Não há nenhuma “mistery box”, prefiro usar sintetizadores antigos e espetaculares, basicamente três diferentes. Um deles eu tenho desde que eu tenho 18 anos, de forma que eu controlo praticamente tudo, desde a idéia até o resultado final.

O título do disco nos leva a imaginar que se tratam de cantos tradicionais de um povo imaginário. Sabemos que há a influência do canto gutural Inuit, da “música submarina” gravada por Douglas Quin, entre outras referências. Por favor, fale um pouco sobre essa característica alienígena? Quem são as “espécies nocionais”?

Trata-se apenas de uma maneira de escrever as peças. Primeiro concebo os sóciotipos (sociotopes) compilando atributos, características, condições e estados de espírito. Encontro uma espécie cujo conjunto de atributos me parece atraente, lhe dou um nome e, depois, me sento para sonorizar essa “entidades”. Finalmente tenho um conjunto de sons que resultam em uma composição. Gosto de escutar o modo como estes indivíduos imaginários soam enquanto entidades individuais, pois isso define o modo como irei articulá-los dentro do clima de uma peça (que, portanto, torna-se a representação de uma situação social ou ambiente).

O ritmo é algo muito importante em seu disco, embora não sejam ritmos regulares. Qual a importância do ritmo em Traditional Music Of Notional Species Vol. I.?

Bem, obviamente, eu estou muito interessado em ritmo. Sou intrigado especificamente pela seguinte questão: as peças podem se manifestar sem um ritmo óbvio ou contável? Acho que este álbum se constitui, principalmente, a partir de longos arcos de padrões rítmicos.

Por que você dividiu o disco em “Danças” e “Temas”?

É uma maneira de dizer que, dentro do cenário fictício do álbum, as peças servem a uma função extra-musical, que pode ser um funeral ou um casamento, cânticos de invocação ou danças comunais. Penso que no volume II a divisão formal entre “temas” e “danças” será mais evidente. (risos)

Há uma melodia oriental na faixa “Themes III”, executada por um instrumento semelhante a um shamisen. Na faixa posterior, algo semelhante a uma voz esboça um canto bastante estranho. Haveria alguma motivação conceitual por trás dessas inserções pontuais?

Todos os elementos do álbum são sintéticos. Não há vozes ou instrumentos de verdade, não há samplers de qualquer espécie. Há um pouco de motivação conceitual por trás disso. Os sons sintéticos são potencialmente livres de qualquer legado idiomático e, portanto, constituem um instrumento mais delicado para se produzir uma ficção do que instrumentos tradicionais ou vozes. Sons sintéticos permitem a possibilidade de repensar princípios de realidade e ficção dentro do próprio som.

“Eu gosto de estar cercado por linguagens que eu não compreendo”, você afirmou em entrevista à revista Wire no ano passado. Como se dá esse processo de conversão entre uma linguagem que você não compreende e o momento em que você começa a manipulá-la?

Para mim um dos momentos cruciais de acesso a uma nova linguagem é quando você pode começar a produzir humor nessa estrutura. Eu acho que isso traduz bem a relação entre a música e os instrumentos musicais, quando você pode produzir algo deliberadamente humorístico, você desbloqueia o acesso a esse sistema e, ao mesmo tempo, cria o potencial para uma sinceridade autêntica.

Rashad Becker se apresenta dia 02/12 na Audio Rebel
Ingressos a venda em: http://bit.ly/1rwUEYD


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Por: Fausto Fawcett (Jornalista, autor teatral, escritor de ficção científica e compositor brasileiro)

De todas as aparelhagens, corpos, ambientes, invólucros tecnotrônicos e máquinas devidamente penetrados, gambiarrizados, desviados, potencializados, recriados, reciclados, desinventados, desconstruídos, improvisados, reestruturados por programações digitalizantes, por cirurgias em equipamentos, transplantes de componentes de instrumentos antigos para instrumentos modernos, de instrumentos atuais para instrumentos antigos, de caixas de som brutalizadas por furadeiras cheias de ritmos sincopadamente doentios, harmonizações lancinantes e micro melodias que improvisam explotations de audição nas caixas devidamente brutalizadas. De onde vem a música hoje? Muito além das experiências atonais, muito alem das experiências engendradas em todos os gêneros ditos musicais espalhados por todos os primitivismos, dodecafonismos romantismos, classicismos, macumbagens selvagens, rituais de xamanismo cantado, melodias levadas ao vento, muito além de toda a herança europeia, africana, asiática, pré-colombiana, muito além de toda a industrialização da comunicação musical ela agora vem de onde menos se espera. É como se uma caixa de Pandora das possibilidades sonoras tivesse sido jogada e fragmentada no planeta promovendo um infinito de possibilidades reveladas com a turbinação dos instrumentos, dos corpos, das aparelhagens, dos equipamentos das máquinas a partir das digitalizações, programações. De onde vem a música hoje? Vem do elevador despencando em cima de keyboards e violinos colados grudados no fundo do poço emitindo uivos de harmonia inusitada? Do ventilador enguiçando dentro do órgão de igreja, do fígado sendo transportado no isopor? Fricção do transplante? A música vem das máquinas musicais casadas, vem das máquinas musicais entranhadas em máquinas não-musicais mas cheias de ruídos, ritmo imperceptível, harmonia presente na dança dos fótons, nas novas freqüências descobertas com estetoscópios, telescópios, microscópios, detectores de sound metal na queda de um cacho de garfos numa piscina de acido sulfúrico. Os músicos nunca foram tão plásticos, tão filosóficos na sua tara por manipulações de memórias, de gravações de tudo, animal vegetal mineral metal, poltergeist metal, fóton no aquário improvisado. Tara na manipulação da cultura guardadas em caixinhas de zero/um. Nunca foram tão plásticos, tão marceneiros, tão siderúrgicos, vulcanos eletricistas e soldadores das memórias culturais da música em todos os tempos como agora. Fazem tratamento de canal nas musicas e nas aparelhagens como dentistas frankensteins da possibilidade sonora do objeto, do corpo, do instrumento, da música como máquina. Máquina inserida num übermuzak da máquina maior que é a mega cidade, a mancha urbana. Cabanas abstratas podem ser improvisadas com essa música de hoje. Parangolés de ambientação cerebral, stands mentais para visitação de freqüências inusitadas são criados a partir de pedaços de programação extraídos de velhas mobílias de estúdio, mesas de som como organismos de Rembrandt abertos para a dissecação. Música hoje em dia vem de tudo e de todos os lugares (pessoas, não pessoas, paisagens) devidamente abduzidos por programações e intervenções de gambiarrismos. TV e máquina de soldar acopladas ao saxofone. O encontro da maquina de costura com o guarda chuva antecipado imaginado por Lautréamont elevado a enésima potencia. O ready-made alucinado da musicalidade brutalizada ou suavizada pelas propagações da sua comunicação industrial mas também pelas tais cirurgias e dissecações de programação e memória. De onde vem a música? A musica agora é basicamente plataforma de freqüências mesmo sorrateiramente presente na musica popular. Mas de onde ela vem? De todo lugar. E como ela vem? Em forma de contundente, desconcertante, insinuante vírus de frequência criando novas pulsações para o seu cérebro, para o seu coração, para a sua imaginação alimentada pelos cabos invisíveis… das novas freqüências. Da, ainda assim chamada, música.


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Entrevista por Bernardo Oliveira (crítico e professor de filosofia, co-produtor do Quintavant)

É inegável que o trabalho da cantora e performer norte-americana Ashley Paul se tornou mais conhecido recentemente, sobretudo a partir do álbum Line The Clouds, lançado em 2013. Eleito pela crítica anglo-saxã como um dos discos daquele ano, Paul se projetou para além do circuito de improvisação de Nova Iorque, graças a seu talento particular na utilização da voz incorporada ao improviso. Repleta de costuras abstratas entre a voz e um amplo espectro de instrumentos (saxofone, clarinete, guitarra, percussões), a música de Ashley Paul desenvolve “canções intuitivas”, aparentemente entoadas ao sabor do acaso, mas com a firmeza de quem tem plena consciência do que está fazendo.

Residente em Nova Iorque, Paul já teve a oportunidade de trabalhar com uma série de grandes nomes vinculados à experimentação sonora, como Phil Niblock, Rashad Becker, Aki Onda, C. Spencer Yeh, entre outros. Seu novo álbum, Heat Source, foi gravado entre Nova York e Londres durante um período de fortes experiências pessoais, ocasionando um efeito curioso: composto por voz, sopros e elementos percussivos, Heat Source é preenchido por silêncios e elementos abstratos, exibindo a faceta mais conceitual do trabalho de Paul.

Reproduzimos abaixo uma entrevista realizada com a artista por email, na qual ela responde a algumas perguntas pontuais acerca do seu trabalho.

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Gostaria que você falasse um pouco sobre sua formação e, particularmente, como chegou a essa combinação original de composição e improvisação?

Eu cresci submersa em música e arte. Estudei piano clássico a partir dos três anos e saxofone aos dez. Meu pai toca violão, minha irmã toca piano e canta e minha mãe é pintora. Estudei improvisação a sério por muitos anos e, tomando contato com esse universo, fui me tornando cada vez mais interessada em música contemporânea, tanto a música para concerto como a música popular.

Em um texto no seu site, você descreve sua música como a combinação de “canções intuitivas” e “forma livre”. Como você desenvolve suas “canções intuitivas”?

Tudo acontece no momento da composição e da gravação. O ato de compor e gravar é um processo rápido. Tenho um sentimento ou uma idéia e os instrumentos estão ao redor. Então, eu começo a buscar para onde essa intuição me leva. Geralmente trabalho rápido no processo de gravação, justamente para permitir que, ao invés de pensamento cognitivo, a intuição seja a força motriz da minha música.

Cada peça é um “instantâneo” do momento em que foi feita. Dito isso, eu sou um pouco perfeccionista. Depois que o improviso é gravado, passo inúmeras horas automatizando e editando o material, manipulando trechos, selecionando um único ataque de timbre, regulando alturas, definindo um crescendo, destacando pequenas partes da música que foi gravada.

Ao mesmo tempo percebemos um aspecto conceitual na composição que obriga os intrumentos a dialogarem com a voz. Você concebe as dinâmicas de ritmo e melodia antes ou durante a gravação/performance?

Tudo acontece ao mesmo tempo.

Penso que categorias como modal e atonal não se aplicam ao modo livre com que você constrói a harmonia. Como você definiria o emprego da harmonia em seu trabalho?

Tenho a informação teórica armazenada por conta de muitos anos de estudo. Agora, simplesmente penso no som e no sentimento que quero expressar e tento elaborar e criar a paleta de sons que está na minha cabeça. Nunca penso em progressões harmônicas ou teoria, mas sem dúvida esse conhecimento teórico afeta e sustenta tudo o que faço.

A sua utilização da voz se dá de forma ambígua: a voz como o centro da canção; e a voz utilizada como instrumento. Gostaria que falasse um pouco sobre essa tensão.

Eu cresci estudando saxofone, de modo que, por muitos anos, percebi a música a partir da perspectiva de um instrumento melódico. Como cresci e comecei a ter meus próprios pensamentos sobre a criação musical, me tornei mais interessada em outros modos de tocar o saxofone. Tornei-me mais interessada em usá-lo texturalmente e harmonicamente. Essa perspectiva tem influenciado a forma como me aproximo de todos os instrumentos, incluindo a voz. Eu não vejo a voz como o centro da composição, não mais do que qualquer outro instrumento que uso. Para mim eles estão no mesmo registro. A voz é um instrumento que cria apenas um som em uma vasta paleta de sons que estou interessada em usar.

Preenchido por momentos silenciosos e elementos abstratos, Heat Source parece mostrar a faceta mais conceitual do trabalho. Fale um pouco sobre como esse trabalho foi elaborado e produzido.

Foi um ano emocionalmente intenso. Muitas viagens, mágoas pessoais e novos relacionamentos. Eu não estava tentando representar isso no trabalho de forma consciente, mas, sem dúvida, afetou aquilo que foi criado. Fazer música é um processo muito pessoal para mim. Agora eu realmente posso dizer que toco as peças enquanto gravo. Além disso, intensificar a quantidade de apresentações ao vivo teve um impacto sobre a forma como eu concebo cada música. Há tanta coisa interessante que eu posso produzir sozinha em um ambiente ao vivo (sem o uso de aparelhos eletrônicos).

Um aspecto interessante de seus álbuns anteriores a Heat Source são as percussões. Fale um pouco sobre o caráter abstrato (e eventualmente agressivo) do emprego das percussões.

Hah. Eu escolho os instrumentos por causa das texturas e sons que eles podem criar. Eu não sou uma percussionista e, assim, o modo como eu toco instrumentos de percussão é afetado por isso. Eu acho que a luta que eu tenho com os instrumentos é empolgante e libertadora, pois me permite falhar e me deliciar com isso.

Em uma entrevista no ano passado, você declarou: “A música é minha fuga da realidade.” Para onde você vai quando toca, compõe e produz?

Me volto para dentro de mim mesma.

Quando ouço seus discos, particularmente, penso em pintura e literatura que trabalham com o tempo subjetivo — Proust, Malevitch. Quais suas influências extra-musicais?

Rothko, minha mãe, Richard Brautigan, bons amigos, jardinagem, vagar por aí…

Por fim, como funcionam suas apresentações? São puramente improvisadas? Ou você dialoga com temas e ideias contidas nos discos?

Cada performance é totalmente planejada e bem estruturada. Existem espaços construídos para a improvisação, bem como temas e músicas do material gravado. Acho que se eu planejo de forma precisa, tenho mais liberdade para trabalhar dentro da estrutura no momento da apresentação. Além disso, meu set-up é logisticamente complicado, pois quase sempre estou tocando vários instrumentos ao mesmo tempo. Então, preciso planejar para controlar o modo como isso afetará o fluxo como um todo.


Ashley Paul
se apresenta dia 01/12 na Audio Rebel
Ingressos a venda em: http://bit.ly/1qIJepV

Ashley Paul – Sail from The Wire Magazine on Vimeo.


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O Novas Frequências resolveu ajudar você na pesquisa e preparou uma série de playlists especiais para cada desdobramento do festival em 2014 e ainda separou todos os links individuais de cada um dos artistas que vão se apresentar. Agora não vai ter mais desculpa para não ouvir e ir nos shows do Novas Frequências esse ano.

 

Playlist @ Todo os artista

Uma seleção meticulosa com a maioria dos artistas que se apresentem no festival. Uma playlist que comprova o quanto eclético é o Novas Frequências. 

Ouça no YouTube – http://bit.ly/1vlPCoI
Ouça no Rdio – http://rd.io/x/QXI85DPqRg4/
Ouça no Spotify – http://spoti.fi/1vlQnhu

 

Playlist @ Audio Rebel

Apanhado com os 5 artistas que se apresentam na casa de show mais experimental de Botafogo. 

Ouça no YouTube – http://bit.ly/1yQvxEb
Ouça no Rdio -http://rd.io/x/QXI85DPqRmY/
Ouça no Spotify – http://spoti.fi/11hCTpq

 

Playlist @ Oi Futuro

Serão 8 noites e 8 artistas mais uma vez inéditos na casa mais antiga do Novas Frequências. 

Ouça no YouTube – http://bit.ly/11qc8P6
Ouça no Rdio -http://rd.io/x/QXI85DPqQaU/
Ouça no Spotify – http://spoti.fi/11A3E9d

 

Playlist @ La Paz

Uma mistura dos artistas que se apresentam nas duas festas que prometem abalar as estruturas da La Paz.
Ouça no YouTube – http://bit.ly/1p01MRp
Ouça no Rdio – http://rd.io/x/QXI85DPqQfQ/
Ouça no Spotify – http://spoti.fi/1F0SN6k
Playlist @ Sergio Porto
Uma playlist dedicada ao pianista Lubomyr Melnyk, uma das atrações mais esperadas do festival.
Ouça no YouTube – http://bit.ly/11hDUO9
Ouça no Rdio – http://rd.io/x/QXI85DPqRlo/
Ouça no Spotify – http://spoti.fi/1ustKEz
Playlist @ Casa Daros
Parte do que vai rolar musicalmente nas duas tardes na Casa Daros com palestras e shows. 
Ouça no YouTube – http://bit.ly/1xTNIuo
Para aprofundar sua pesquisa:
Aki Onda – https://soundcloud.com/aki-onda
Ashley Paul – https://soundcloud.com/ashleypaul
Ben Frost – https://soundcloud.com/benfrost
Bill Orcutt – https://soundcloud.com/bill-orcutt
Cut Hands – https://soundcloud.com/cuthands
DJ Marfox – https://soundcloud.com/dj-marfox
Frisk Frugt – https://soundcloud.com/frisk-frugt
Joana Gama & Luís Fernandes apresentam: QUEST – https://soundcloud.com/shhpuma-records/shh011cd-joana-gama-luis-fernandes-quest
John Butcher & Mark Sanders apresentam: Tarab Cuts – https://soundcloud.com/john-b-butcher/sets/tarab-cuts-john-butcher-with
Keith Fullerton Whitman – https://soundcloud.com/kfw
Laraaji – https://soundcloud.com/all-saints-records/laraaji-i-am-ocean-1981
Lubomyr Melnyk - https://soundcloud.com/lubomyrmelnyk
Mark Fell – https://soundcloud.com/editionsmego/mark-fell-soa-5-emego-143
Philip Jeck – https://www.youtube.com/watch?v=ltA_aJNo6ik
Rashad Becker – https://soundcloud.com/pan_recs/rashad-becker-dances-iii-pan
Rippati - https://soundcloud.com/vladislavdelay/ripatti-live-at-air-tokyo
Sensate Focus – https://soundcloud.com/editionsmego/sensate-focus-y-focus-1
The Astroboy – https://soundcloud.com/theastroboy
Vladislav Delay – https://soundcloud.com/vladislavdelay
40% Foda/Maneiríssimo VS. Domina – http://40porcentofodabarramaneirissimo.bandcamp.com/ e http://dominalabel.bandcamp.com/
Auto – http://vimeo.com/45096160
Bruno Real – https://soundcloud.com/brunoreal
Hojer Yama – https://soundcloud.com/objetoamarelo
Iridiscent – https://soundcloud.com/djmaurotelefunksoul
J.-P. Caron & Marcos Campello – https://soundcloud.com/j-p-caron e https://soundcloud.com/marcos-campello
Mauro Telefunksoul – https://soundcloud.com/djmaurotelefunksoul
Omulu b2b Maga Bo – https://soundcloud.com/omulu e https://soundcloud.com/magabo
Osvardo – https://soundcloud.com/osvardo
Quintavant Ensemble – http://quintavant.bandcamp.com/
Serge Erège – http://soundcloud.com/sergerege
Som Peba – https://soundcloud.com/sompeba
Vivian Caccuri: Caminhada Silenciosa – http://www.viviancaccuri.net/

OFICINA_E-FLYER4

Além dos shows e palestras, esse ano o Novas Frequências vai contar com 5 oficinas comandadas por artistas do festival. Abaixo estão todas as informações sobre cada uma das oficinas que serão oferecidas no festival:

Vivian Caccuri: Caminhada Silenciosa

A “caminhada silenciosa” é uma performance na forma de um itinerário urbano feito para um grupo de quinze a vinte pessoas. O trajeto possui oito horas de duração e é feito sob voto de silêncio. Durante esse tempo, o grupo caminha por lugares com sons interessantes e acústicas incomuns. Especialmente para o Novas Frequências, Vivian Caccuri vai desenvolver uma caminhada silenciosa inédita em torno dos bairros do Humaitá e Botafogo.

Percurso: Humaitá e Botafogo
03/Dez – 14:00 às 22:00
Máximo de 15 participantes
Inscrições a partir do dia 24 de novembro via: https://www.facebook.com/caminosilencio
R$ 50,00 (inclui alimentação e demais atividades)

 

Lubomyr Melnyk (Masterclass e Oficina)

A oficina será dividida em duas partes. Começa com uma masterclass que involve discussões sobre os aspectos físicos e metafísicos por traz do piano, além de informações sobre como obter um maior controle sobre os dedos (maior poder nos fortíssimos, maior suavidade nos pianíssimos), como aumentar velocidade, controle e precisão. Termina com uma oficina prática onde Lubomyr Melnyk passa um tempo com cada aluno desenvolvendo melhorias e ensinando conceitos gerais da técnica conhecida como “música contínua”.

Local: Oi Futuro Ipanema, 4/12
13:30h – 15h – masterclass
15h – 16:30h – oficina prática de piano (máximo de 15 alunos)
Masterclass: R$ 50,00
Masterclass + oficina: R$ 100,00
Inscrições: https://www.bilheteriadigital.com/novas-frequencias-04-12-e-05-12-04-de-dezembro

 

Frisk Frugt

Oficina de construção e modificação de instrumentos. Inclui: demonstração ao vivo de músicas; bate-papo sobre carreira e escolhas; e o processo de criação musical em si e como traduzir essas obras em formatos para serem tocados ao vivo.

Local: Oi Futuro Ipanema, 5/12
13:30h as 15h
Oficina gratuita
Inscrições: https://www.bilheteriadigital.com/novas-frequencias-04-12-e-05-12-04-de-dezembro

 

Laraaji 

Laraaji irá apresentar no Novas Frequências o seu famoso Laughter Meditation Workshop (algo como “oficina de meditação do riso”). Durante a prática, o artista ensina a utilizar o riso de forma consciente em função de seus múltiplos benefícios à saúde.

Local: Escola de Artes Visuais do Parque Lage, 11/12
10h as 12h
R$ 50
Inscrições: https://www.bilheteriadigital.com/novas-frequencias-11-12-11-de-dezembro

 

Philip Jeck

Oficina com o intuito de criar uma peça complementar com outros músicos e artistas do Rio de Janeiro.

Local: Reduto, 12/12
15h às 18:00
Oficina gratuita. A aprovação dos participantes será feita pelo próprio Philip Jeck. Artistas interessados devem enviar email (com links e portfolio) para: info@novasfrequencias.com


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Depois de faturar o Prêmio Noite Rio de “Melhor Festival (até 5 mil pessoas)” em 2013, o Novas Frequências é mais uma vez finalista da categoria no Juri Técnico do prêmio em 2014.

Agradecemos mais uma vez aos jurados e ao público que vem nos apoiando ao longo desses quase 4 anos. Os vencedores serão anunciados dia 25 de novembro em uma festa no Imperator e estaremos lá torcendo.

Veja todos os finalistas


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2013 foi um ano muito especial para o Novas Frequências. O festival fez 3 anos de existências e por isso expandimos às fronteiras do festival para além do Oi Futuro Ipanema com uma série de conversas sobre música contemporânea no POP – Polo de Pensamento Contemporâneo e uma festa de abertura no La Paz club, duas iniciativas que seriam impossíveis sem a parceria com o programa Transform do British Council.

Sem falar na line-up de peso com:  Lee Gamble, Heatsick, Miles Whittaker, Paulo Dandrea, Fudisterik, Demdike Stare, David Toop, Chelpa Ferro, James Ferraro, São Paulo Underground, Stephen O’Malley, Tim Hecker, Babe, Terror e Gimu. Em 2013, o Nova Frequências colocou seu nome de vez no calendário de festivais no Brasil.

Enquanto a edição de 2014 não chega, veja tudo que aconteceu no festival ano passado e o que os artistas tem a dizer sobre tocar por aqui:


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Para os próximos anos, o Novas Frequências tem o prazer de dar boas vindas a uma nova colaboração: o festival Escocês Counterflows. Situado em Glasgow, na Escócia, o Counterflows é um festival de música experimental com foco em free jazz, improvisação livre e arte sonora que acontece sempre em abril.

A parceria é um projeto de longo prazo, mas que, no primeiro momento, será na forma de troca de idéias e conhecimento.  Alasdair Campbell, diretor do Counterflows, virá ao Brasil para o Novas Frequências participar do Talking Sounds sobre a cena de festivais britânica e fazer um primeiro contato com artistas da cena brasileira.  Dessa primeira interação, esperamos que alguns artistas brasileiros sejam convidados para fazerem parte do Counterflows 2015.

Mas para frente, esperamos também em desenvolver a possibilidade de artistas Escoceses de tocarem no Brasil e também produzirem algum tipo de colaboração e troca musical e cultural entre Brasileiros e Escoceses.  Ou seja, tem muita coisa legal por vir por ai!

 


As apresentações de ontem encerraram a 3ª edição do Festival Novas Frequências, a maior de todas até hoje: expandimos às fronteiras do festival para além do Oi Futuro Ipanema com uma série de conversas sobre música contemporânea no POP – Polo de Pensamento Contemporâneo e uma festa de abertura no La Paz club, duas iniciativas que seriam impossíveis sem a parceria com o programa Transform do British Council.

Foi um ano muito especial para o festival e por isso gostaríamos de agradecer a todos os artistas que abrilhantaram o NF com suas apresentações (Lee Gamble, Heatsick, Miles Whittaker, Paulo Dandrea, Fudisterik, Demdike Stare, David Toop, Chelpa Ferro, James Ferraro, São Paulo Underground, Stephen O’Malley, Tim Hecker, Babe, Terror e Gimu); a toda a equipe de produção que fez o festival acontecer da melhor forma possível; a Oi que através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro vem acreditando e apoiando na ideia do Novas Frequências há 3 anos; ao Oi Futuro pelo inestimável (e indispensável) apoio cultural; ao British Council Brasil pela parceria institucional que pode render cada vez mais no futuro; a SuperUber pelo lindo projeto gráfico; e, evidentemente, ao nosso público, que desde o primeiro ano vem esgotando os ingressos e mergulhando de cabeça no nosso conceito. Não foi à toa que esse ano ganhamos o prêmio de “Melhor Festival do Rio” segundo o Prêmio Noite Rio.

Um sincero MUITO OBRIGADO a todos aqueles que participam, apoiam, acreditam e enxergam o festival como um evento único no Brasil. Sem vocês, nada disso seria possível.

Esperamos que a viagem sonora tenha sido boa. Nos vemos novamente em 2014!


Falta pouco para começar o Novas Frequências 2013!