New Music International Festival 2013. De 30/11 a 08/12.
Novas Frequências 2013

Blog

Apresentando: James Ferraro

Nascido no Bronx, NY, James Ferraro vem lançando música desde 2004 e é conhecido como um dos precursores do estilo Hypnogogic Pop (o primo experimental da Chillwave).  Seu maior lançamento até hoje  é o  disco de 2011 Far Side Virtual (eleito pela revista The Wire como o melhor daquele ano), que apesar de ter sido um marco final no lado Hypnogogic Pop de Ferraro,  deu início a outra cena ainda mais estranha, o Vaporwave.

“Far Side Virtual” soa com se o Windowns 94, o gameboy, um celular nokia antigo e alguns personagens do The Sims, resolvessem fazer uma Jam e gravar um disco juntos. Ferraro dizia que o disco soa como “iogurte congelado“. Tão plastificado, vazio e prazeroso que se torna profundo – quase espiritual na sua insipidez.

Apesar do inesperado sucesso, “Far Side Virtual” é apenas uma anomalia da discografia do artista, que a cada novo lançamento soa completamente diferente. Em seu recém lançado disco, NYC, Hell 3:00AM, Ferraro mostra o seu lado mais obscuro até hoje. Feito com rap  “auto-tununado”, baterias distorcidas, sintetizadores enlameados e sons gravados por Nova Iorque (ratos, metros e reportagens sobre o 11/9), NYC é o álbum mais pessoal de Ferraro, que passou toda sua infância na cidade. Um disco que não consegue ser classificado em um só estilo e que coloca Ferraro em um novo patamar como artista.

Ao vivo, Ferraro se apresenta sozinho e é sempre imprevisível. O site Eletronic Beats descreveu seu show no Unsound esse ano como: “o mais desorientador; verdadeiramente exploratório e absolutamente único”. Agora é esperar pra ver o que ele vai aprontar no show aqui no Rio.

James Ferraro se apresenta dia 05/12 no Oi Futuro Ipanema


Apresentando: Lee Gamble

Criado em Birmingham na Inglaterra, Lee Gamble tem formação artística e começou sua carreira no começo dos anos 2000 fazendo música de computador (não confundir com musica eletrônica) para o selo Entr’acte. Mas desde o ano passado, Gamble se reinventou com dois dos seus trabalhos mais relevantes até hoje: Diversions 1994-1996 e Dutch Tvashar Plumes, todos lançados pelo selo Pan (mesmo selo de Heatsick).

Diversions é uma obra-prima da re-apropriação. Lee Gamble usa como material de origiem suas antigas e mofadas fitas mixadas de jungle e cria algo profundo e cheio de ambiência. O resultado é tão diferente do material original que se Gamble não tivesse dito que tudo foi feito com fitas antigas de Jungle, ninguém jamais suspeitaria.

“Eu nunca tive nenhuma intenção de refazer a musica intrinsecamente, algo como uma revisão rasgada. Isso nunca esteve na minha cabeça. Eu queria pegar o som e fazer algo novo. Algo que fosse respeitoso. O principal foco foi no trechos entre os breaks, tipo os pequenos breakdowns, eu queria abri-los e examinalos com um microscópio e expor algo que pode ter passado batido ao longo do tempo. Eles normalmente eram os momentos mais estranhos nas boates, quando todo mundo está esperando. Você sabe, é só esse baixo pesado, um acorde suspenso e uma voz desencarnada.” – Explicou Gamble em entrevista ao site FACT.

Já o segundo disco, Dutch Tvashar Plumes é mais voltado para a pista e lembra muito o trabalho de artistas como Oval e Actress (convidado do Novas Frequências 2012) com seus sons envoltos de chiado de fita. Como disse o jornalista Phillip Sherburne: “É tão abstrato quanto uma equação e tão visceral quanto a fome.”

Apesar do sucesso dos discos, ao vivo eles não tem nenhuma influência em seus sets. Nas suas apresentações, Gamble gosta de fazer as pessoas dançarem e por isso prefere tocar coisas mais voltadas para pista. Nesta recente mix de 1h e 30min para o site Self Title, Gamble mostrou essa sua preferência: “Eu acho que (essa mix) representa o que eu normalmente toco quando estou em um boate, em oposição as coisas mais experimentais. Começa mais “deep” e no final fica mais bate-estaca”

É por essas e outras, que o Novas Frequências esse ano estréia o seu novo formato, que além dos tradicionais shows no Oi Futuro, contará uma festa dentro da boate La Paz. É nessa festa que Gamble se apresentara junto com seu parceiro de selo, Heatsick, seu conterrâneo Miles e os brasileiros Paulo Dandréia e Fudisterik. Dia 30 de novembro tem tudo para ser um noite para lavar alma na pista e deixar todo mundo com os espíritos renovados e preparados para a semana intensa de show e palestras do Novas Frequências 2013.

Lee Gamble se apresenta no dia 30/11 no La Paz Clube e participa no dia 01/12 do Talking Sounds no POP (Poló de Pensamento Contemporâneo)


James Ferraro lança música nova em parceria com Triad God

Apesar de ter lançado seu disco a menos de um mês atrás, James Ferraro não para de produzir. “Swarovski” é uma colaboração entre Ferraro e os colegas de Hippos in Tanks (selo de Ferraro) Triad God. Com uma batida simples marcada por um prato, sintetizadores tensos, a voz auto-tune de Ferraro e a balbuciação do Triad God, a música faz uma boa mistura dos estilos de cada um.


Apresentando: Heatsick

Sabe aquele tecladinho Casio que você usava para aprender a tocar? Pois é… Esse é o único instrumento que Steven Warwick (mais conhecido como Heatsick) usa para fazer suas músicas. Com seu Casiotone e amparado por um pedal de guitarra para fazer loops, Heatsick é basicamente uma jam de house lo-fi feita por um homem só. Virtuoso no teclado, Steven consegue fazer sets inteiros improvisados como se fosse um DJ. Só que ao invés de discos, só tem um mero tecladinho.

“Eu era quase obcecado por mixagem, mas ouvir como a idéia de música dançante é sempre remixed e tem um fluxo também. Eu meio que tinha essa idéia perversa para o Heatsick de tocar o teclado, mas tocar como se fosse um DJ, como um DJ mixa duas faixas. Eu sou obcecado por imitação.” – Disse Warwick para o site Resident Adivisor.

A soma dessa obsessão com a idéia de tirar ao máximo de um único instrumento foi o que deu início ao Heatsick.

No blog do Novas Frequências ano passado falamos do então recente fenômeno da “Eletrônica de Margem” e que o estilo podia ser representado por selos como 100 % Silk e principalmente a PAN, selo por qual Heatsick e Lee Gamble (também toca na nossa festa) se consagraram. O som de Steven Warwick é bem característico dessa “margem”, que pega a paleta de sons estabelecidos da música eletrônica dançante e acha novas dinâmicas/significados para seus elementos.

Ao vivo, Heatsick promove um set cru e visceral que lembra os primórdios do House lá em Chicago. Ler os comentários do seu video ao vivo no Boiler Room chega a ser engraçado, algumas pessoas acham “tudo um lixo”; “fora do ritmo”, “coisa de hipster”, “assim até eu sei fazer!”, “sem graça”. Até crítico sério faz piada com o cara… Já outros defendem o cara dizendo que é “genial”,”único”, “realmente inovador”.

Heatsick ‘Déviation’ (PAN 29) from PAN on Vimeo.

Bom ou não; relevante ou não, isso não importa. O que importa é que, ao vivo, Heatsick consegue criar um som transcendental e hipnotizante, que vai fazer você não parar de dançar na pista.

Heatsick toca dia 30/11 no La Paz Club e participa do Talking Sounds dia 01/12 no POP (Poló de Pensamento Contempoâneo)


Criando os posters do Novas Frequências 2013

Chris Calvet,  designer dos nossos belos posters em 2013, contou para todo mundo em seu blog como foi o processo de criação da identidade visual da 3ª edição do Novas Frequências. Olha só o relato dele:

Chico Dub, meu querido amigo e companheiro de trabalho aqui na SuperUber, graças ao apoio que a empresa está dando ao Festival Novas Frequências, deixou sob minha responsabilidade a criação e direção de arte do evento.

O desenho, na verdade é do Chico. Sério.

Conversamos sobre uma ideia de valorizar o número 3, já que o Festival está em sua 3ª edição, no ano de 2013 e terá três eventos (não apenas shows). Sugeri fazer algo tridimensional mesmo. E vim com a ideia de que o resultado do desenho seria a partir de uma implantação de dados dele.

Como isso funcionou?

Defini três parâmetros para cada artista: moodexperimentalismo e BPM. Indo de menos para mais (sem juízo de valor). O Chico preencheu e… desenhou, porque o desenho está baseado nos parâmetros. :-)

Cada artista, portanto teve um posicionamento no espaço, nas coordenadas x, y, e z. A partir daí, inserimos esse ponto no Cinema 4D, com meu amigo Daniel Tumati, que manja da ferramenta (eu não manjo de quase nenhuma ferramenta de design). Ele posicionou os pontos e aí fiz uma análise combinatória de quantos TRIângulos poderíamos gerar, usando festa, stalk e show. Ou seja, fiz o máximo de triangulações no espaço para que os planos se cortassem.

Essa foi a tarefa mais trabalhosa: traduzir um desenho que não sabíamos como se sairia. Graças ao Deus do Design, a forma geral nos deu a possibilidade de enxergarmos as três cores: R (red) para festa, G (green) para o talk e B (Blue) para o show.

A câmera posicionada e as luzes no 3D foram inseridas pelo outro amigo, Léo Cardarelli, de forma que nenhuma face se sobressaisse as outras. É como se você estivesse vendo o objeto de frente, em relação ao ponto 0,0,0 em uma altura média.

O resto foi bem simples, peguei o belo símbolo que meu amigo Adriano Motta fez, e inseri na figura de um triângulo.

A tipografia foi baseada na Courier, um redesenho um pouco mais arredondado porque não queria que os ângulos da forma se repetissem no type.

Cada evento terá sua cor predominante e uma ideia do Chico foi dar uma humanizada: inserir uma imagem de pé, boca e ouvido para festa, talk e shows, respectivamente. Não tinha inicialmente concebido isso e no começo confesso que estranhei, mas quando montei nos monocromáticos, achei que remeteu a uma pegada mais improvizada, meio zine. Acho que fecha conceitualmente com o projeto.

Os dois ainda estão preparando 2 surpresas para vocês: o poster impresso (presentão) e o programa do festival. Vem coisa boa aí!

 


James Ferraro – “QR JR.”

Em seu disco novo, NYC, HELL 3:00 AM,  James Ferraro, faz uma aterrozizante exploração na decadência Americana, niilismo e alienação. Em seu novo clipe, “QR JR”, Ferraro, usa glitches e colagens para trabalhar de maneira bem óbvia os temas explorados em seu novo disco.

James Ferraro toca no dia 05/12 no Oi Futuro Ipanema.

 


Lee Gamble remixa Mount Kimbie e Special Request

Sem lançar nada novo desde 2012, Lee Gamble está de volta com 2 remixes para famosos produtores ingleses.

O primeiro é  de “You Took Your Time” uma parceria do duo Mount Kimbie com King Krule. Nele, Gamble tira qualquer vestígio de Krule e transforma a música em techno para se ouvir em uma rave no fundo do mar. Já o segundo é um remix é da música “Capsules” do Special Request (projeto do DJ Paul Woolford), onde Gamble coloca as batidas distantes e prefere criar uma atmosfera sombria com sussurros vocais e sintetizadores assombrados.


Heatsick anuncia novo disco e libera set ao vivo

Depois de lançar 2 EPs pelo selo PAN, o Inglês Steven Warwick, mais conhecido como Heatsick (atração da nossa festa dia 30 de novembro),  lança no dia 29 de novembro (1 dia antes dele tocar aqui no rio) o disco Re-Engineering. Segundo o site Tiny Mix Tapes, Warwick escolheu esse nome, pois ele quer é “reengenheirar” o seu conceito de que um disco pode ser ao mesmo tempo familiar e desconhecido. Warwick também descreve o disco como um “poema cibernético” sobre a “hipermodernidade em crise”.

Ouça a a faixa título do disco: Re-Engineering

Enquanto esperamos sair o resto, fique com o tracklist e um set recente do Heatsick gravado ao vivo no festival PAN_ACT:

Tracklist:

01. Re-Engineering
02. E-Scape
03. Mimosa
04. Watermark
05. Clear Chanel
06. U1
07. Speculative
08. Après Moi, Le Déluge!
09. Dial Again
10. Emerge
11. Accelerationista


Apresentando: David Toop

“Somos todos David Toop’s hoje.”

Foi o que disse o crítico e jornalista Simon Reynolds em seu extenso perfil sobre David Toop para revista The Wire ano passado. Com esse slogan de efeito, Reynolds queria mostrar que, hoje em dia, qualquer criança com uma conexão banda larga pode ter acesso a estonteante e diversa experiência auditiva que Toop dedicou sua vida toda para acumular e disseminar. Ou seja, Toop foi um dos primeiros defensores de se ouvir todo e qualquer tipo de som, sem fronteiras ou barreiras.

Além de ser músico e ex-membro da banda Flying Lizards, Toop acumula outras funções de: professor, escritor, jornalista, crítico, curador, artista sonoro e ensaísta. Não é a toa, que hoje, é muito mais conhecido por ter sido editor da revista “The Wire” e escritor do livro “Ocean of Sound” do que por ter uma carreira musical.

Ao longo dos anos ele sempre preferiu a “flexibilidade e imprevisibilidade da improvisação” sob “hierarquia de set-up para compor e o eterno casamento dos grupos”. Foi por isso, que nos anos 80, “cansado de tocar em bandas, cansado de tocar com seres humanos” ele aderiu de vez a solitude da tecnologia musical. Seu primeiro disco solo, New and Rediscovered Musical Instruments, foi lançado em 1975 pelo selo de Brian Eno e dai em diante, Toop fez parcerias com diferentes personalidades do mundo experimental: de Luke Vibert a John Zorn e até chegou a trabalhar com Grandmaster Flash.

Quase todo seu trabalho musical é influenciado por sons da natureza e rituais religiosos; free jazz; orquestras; órgãos; ruídos; sintetizadores e outros tipos de barulhos digitais.

Para sua apresentação no Novas Frequências, Toop convidou o performático trio multimídia Chelpa Ferro. Será a primeira vez dos dois artistas se apresentando juntos, o resultado certamente irá mexer com nossos ouvidos e expandir as possibilidades da percepção.

David Toop participa no dia 02/12 do Talking Sounds no POP e se apresenta com a participação do Chelpa Ferro no dia 04/12 no Oi Futuro Ipanema.


Clipe novo do Babe, Terror

Projeto do paulista Claudio Szynkier, o Babe, Terro, lançou em outubro o clipe para “Damascus School-Smooth-Talkers”, música que está em seu último disco, College Clash. Dirigido pelo artista visual brasileiro Felipe Miguel, o vídeo é um viagem de Lamborghini por um mundo de glitches, Windowns 98, filmes velhos e jogos de corrida futuristas.