André Damião & Gabriel Francisco Lemos
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(Brasil)
https://andredamiao.hotglue.me
https://vimeo.com/gabrielfranciscolemos



Guerra não linear

A composição participativa Guerra não linear explora diferentes relações entre ruído e arquitetura. Através de alto-falantes e dispositivos sonoros portáteis, músicos e público realizam um cortejo guiados por partituras visuais e verbais. O caminhar dos participantes constrói de maneira ativa um espaço sonoro móvel que se deforma com a arquitetura e os sons da cidade. O drone eletrônico torna perceptível a modulação do som pelo espaço. Logo, os becos e avenidas, além de imporem ao trabalho sua própria narrativa material e histórica, se tornam filtros sonoros que afetam os ruídos através de reflexões, ressonâncias e cancelamentos de faixas espectrais. A composição busca uma reflexão no limiar entre a conjunção destes elementos acústicos e os aspectos narrativos que podem emergir no trajeto do espaço urbano.


Artista e pesquisador, André Damião trabalha de maneira transversal entre os campos da música experimental e arte eletrônica. É Professor de Composição formado em Composição Eletroacústica pela UNESP com Mestrado e Doutorado em Sonologia – termo usado para descrever o estudo do som sob perspectivas estéticas e sociológicas. Suas pesquisas são focadas em questões sobre crítica da tecnologia, som e mobilidade, e, seu trabalho, muitas vezes aborda assuntos acerca da estética das interfaces e codificação em tempo real.


Gabriel Francisco Lemos é compositor, artista sonoro e professor. Graduado em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes e Composição pela UNESP, em 2018 obteve o título de Mestre em Musicologia e Estética com apoio FAPESP. Já se apresentou e teve composições estreadas em diversos festivais e eventos no Brasil, Londres, Chile, Mônaco e Portugal. Entre 2013 e 2016, colaborou com o Grupo de Percussão da Universidade de São Paulo (PIAP), compondo peças de percussão para ensemble e organizando concertos. Atualmente, trabalha no cruzamento entre a composição instrumental e eletrônica em ambientes externos às salas de concerto.

Cainã
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(Brasil)
https://www.facebook.com/tantaoeosfita/


Produtor, músico e artista sonoro, Cainã Bomilcar é um dos criadores dos projetos coletivos Tantão e Os Fita, Radiolixo e Pista Delta. Como DJ, apresenta uma pesquisa de música eletrônica de pista com foco nos ritmos acelerados e na desconstrução dos mesmos. Mistura em seu set produções autorais e remixes além de flertar com o “turntablism” digital.

Éliane Radigue: Occam Ocean – Occam XXVI por Enrico Malatesta
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(Itália/França)
http://enricomalatesta.com/


A francesa Éliane Radigue é uma pioneira musical que criou sua própria marca dentro da música eletrônica e da música eletroacústica desde os anos 60. Sua obra explora um estado lento e sempre transformador onde os sons parecem evoluir por conta própria, levando o ouvinte a uma jornada abstrata. No final dos anos 50, Radigue estudou técnicas de música eletroacústica no Club d’Essai da RTF (Radiodiffusion-Télévision Française) sob a direção de Pierre Schaeffer e Pierre Henry. Durante a maior parte de sua carreira, escolheu trabalhar com um sintetizador ARP e uma fita de gravação média; a partir de 2005 começa a compor para instrumentos acústicos.


Enrico Malatesta é um percussionista italiano interessado em pesquisas experimentais sobre música, performance e pedagogia. Ele explora a relação entre som, espaço e movimento, com atenção às possibilidades multimateriais dos instrumentos percussivos. Esta pesquisa coloca uma forte ênfase no potencial do material para produzir uma multiplicidade de informações através de ações simples, o movimento e a experiência de ouvir e a sustentabilidade da presença do intérprete.


Para o Novas Frequências, Enrico Malatesta irá apresentar Occam XXVI (2018), peça de Éliane Radigue para dois pratos curvos e um tambor de moldura.

Kenya
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(Brasil)
https://soundcloud.com/kenya20hz


Inspirada por gêneros da cultura underground, Kenya é uma pesquisadora voraz de sonoridades que abrangem todos os ritmos que possuem o Grave como principal essência, com frequências que vão do rebolativo ao experimental passando pelo Bass, Eletrônico e Trap. Em 2016, se apresentou na Argentina como headliner no palco do festa Bullybass, um dos mais famosos eventos de Dubstep da America Latina, por onde já passaram nomes como Mala, N-Type e Ikonika. No Brasil, já tocou nas principais festas da cena, assim como em grandes festivais como ‘SP na Rua’, e ‘Viradão Cultural”. Já se apresentou ao lado de Flora Matos, Rael da Rima, Pirâmide Perdida, Rincon Sapiência, Luedji Luna, Tássia Reis, Djonga, dentre outros. Recentemente, participou do ASA – Arte Sônica Amplificada, programa desenvolvido pelo Oi Futuro e o British Council.

Luigi Archetti
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(Itália/Suiça)
http://www.luigiarchetti.com/


apresenta: NULL


Luigi Archetti é compositor e artista sonoro cujo trabalho gira em torno da interface entre a arte e a música. Em suas instalações, utiliza desenho, pintura, vídeo e som para criar sistemas de referência complexos e espaços tensos e altamente estéticos. Seu vocabulário musical se manifesta não apenas nas ideias e no modo como as obras são realizadas, mas também no uso de objetos e conceitos desse gênero. Archetti encena o espaço como um portador de imagens em que vários impulsos – visuais e tonais – se encontram.


Para o Novas Frequências, este italiano radicado na Suíça irá apresentar NULL, peça para guitarra processada com 7 horas de duração que se caracteriza por sons estáticos, drones e sobreposições de camadas. Desenvolvido ao longo de cinco anos, Archetti NULL serve de metáfora a sensação de espera, de antecipação, de pausa. Com seus drones em escala cinzenta e som estático, NULL nos convida a observar os mundos das salas de espera em que passamos nossos dias e a viajar em regiões desconhecidas, uma jornada hipnoticamente cativante através de eventos acústicos atemporais e minimalistas.

Oren Ambarchi
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(Editions Mego, Black Truffle/ Austrália)
www.orenambarchi.com


As obras do australiano Oren Ambarchi são formas sonoras estendidas, hesitantes e tensas, localizadas nas fendas entre várias escolas: música eletrônica contemporânea, improvisação, minimalismo, a fisicalidade do rock e as suspensões temporais de compositores como Morton Feldman e Alvin Lucier. A partir do final dos anos 90, seus experimentos abstratos com guitarra, utilizando o instrumento de forma não-usual, o levaram a um mundo sonoro mais pessoal e único, incorporando uma paleta mais ampla de instrumentos e sensibilidades, empregando, por exemplo, gaita de vidro, cordas, sinos, piano e percussão. Ambarchi, considerado um dos maiores e mais prolíficos artistas da música de invenção, já se apresentou e gravou com uma gama diversificada de nomes como Keiji Haino, Stephen O’Malley, Fennesz, Phill Niblock, John Zorn, Annea Lockwood, Manuel Gottsching, Merzbow, Jim O’Rourke, Akio Suzuki, Richard Pinhas e Evan Parker. Seu último lançamento é Simian Angel, trabalho que conta com a participação do lendário percussionista brasileiro Cyro Baptista.

Schtum
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(Áustria)
http://www.schtum.at/


A dupla austríaca Schtum, composta pelo baixista Manu Mayr e pelo guitarrista Robert Pockfuß, se concentra no espectro acústico e eletrônico, empregando oscilações de ritmo controlado, ruído e microtonalidade. Em seu mundo de loops de feedback estridentes, interferência de graves e vibração de ruído, um campo de ação eletroacústico é criado. Através do uso de instrumentos ao vivo, ao mesmo tempo em que expandem seus horizontes como instrumentistas, a dupla desenvolve uma versão original de noise e de música eletrônica contemporânea. Manu Mayr é contrabaixista formado em jazz e música clássica. Robert Pockfuß é guitarrista, improvisador e compositor; sua produção musical vai da música contemporânea à nova música folclórica.

Bartira
+

(Brasil)
http://cargocollective.com/bartira


Temos sempre um pouco de pele na jogada

Bartira é produtora musical, artista de novas mídias, professora de arte & design e pesquisadora de tecnopolíticas. Sua prática perpassa instalação, performance eletrônica, oficinas, arte pública e participatória. A artista entende que existe uma colonização da música e do espaço sonoro, e com seus trabalhos, busca descentralizar essa autoridade ocidentalizada. Desta forma, investiga as formas nas quais estímulos sonoros desafiam arquiteturas de poder do espaço sônico, alimentando-se de implicações contemporâneas como a tecnopolítica global e as condições imateriais que permitem a circulação de corpos e os efeitos destes na identidade.

Para o Novas Frequências, Bartira fará uma intervenção sonora móvel – via Kombi – que combina texto, música e field recordings feitos no Rio de Janeiro. A intervenção buscará instigar a imaginação auditiva dos transeuntes, localizando a prática da escuta como um modo de experiência capaz de perturbar a ordem sônica imposta e de propor novas narrativas, modos de expressão e representação.

C É S A R
+

(Criminal Romantic/ Brasil)
https://ohcesar.bandcamp.com/


Inspirado no universo dos cineastas David Lynch, Wong Kar Wai e Jim Jarmush, e bebendo das fontes de Leonard Cohen, Serge Gainsbourg, Chet Baker, Nick Cave e Tom Waits, C É S A R dança romanticamente entre os contrapontos do amor, drogas, depressão e terapia. Sua apresentação no NF é acompanhada pelo guitarrista Bruno Palazzo, artista que tem como principal raison d’être contar histórias através da música e transformar ruídos em experiências sensoriais. Responsável pela instrumentação e produção do primeiro disco de C É S A R, Palazzo também atua como parte do coletivo Cão e produz trilhas sonoras e sound design.

Encarne
+

(Brasil)
https://seminalrecords.bandcamp.com/album/theres-no-such-animal
https://www.behance.net/olivialunadoppel


Síntese sonora, ruído e repetição são as principais características do Encarne, duo formado por Sanannda Acácia e Olivia Luna. Utilizam “percursos e procedimentos sonoros que conjuram a presença animalesca da vulnerabilidade.” Sanannda é artista sonora e visual com interesses nos processos e limitações físicas dos equipamentos como meios de produção, utilizando fitas k7, feedback looper, técnicas de sampling, pedais de guitarra e síntese. Se apresenta como QUASICRYSTAL, Crusty e Insignificando, e colabora com Bella no projeto ARCOFLUXO. É membro do selo de música independente Seminal Records, onde colabora com a curadoria, organização e linguagem visual. Gere e idealiza coletivamente o Fosso, um espaço de ateliê e eventos que relacionam arte visual, sonora e pensamento teórico. Olivia Luna é artista e pesquisadora visual e sonora com produções enraizadas no experimentalismo e ruidagem. Recentemente se apresenta com o DOPPEL, seu projeto solo e em colaborações com O EXÍLIO, ao lado de Rayra Costa. Desde 2014, atua na área de artes visuais, com ênfase em estudos do corpo/paisagem e o grotesco, relacionando com a fotografia, vídeo, gravura e ruídos.

Lawrence English
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(Room 40, Important/ Austrália)
https://www.lawrenceenglish.com/


Amazon Field Recording Live Set


Lawrence English é um compositor, artista e curador baseado em Brisbane, na Austrália. Trabalhando em um eclético conjunto de investigações estéticas, seu trabalho incita questões sobre campo, percepção e memória. English investiga as políticas da percepção através da performance ao vivo e da instalação para criar obras que refletem sutis transformações do espaço e que exigem do público uma conscientização daquilo que existe no limite da percepção. Sua obra questiona as relações estabelecidas entre som e estrutura – gravações de campo e materiais musicais que trabalham em uníssono, atuando como dispositivos sugestivos. É amplamente publicado em respeitadas gravadoras, incluindo Touch, 12K, Important, Temporary Residence e o seu próprio selo, Room40. Já gravou com William Basinski, Ben Frost, Xiu Xiu, Alessandro Cortini, Akio Suzuki e Francisco López.


A pedido do Novas Frequências, Lawrence English irá apresentar uma performance multicanal baseada em sons ambientes gravados por ele durante uma residência na Amazônia.

Maria Noujaim & Savio de Queiroz
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(Brasil)
https://vimeo.com/260074739
https://soundcloud.com/savioqueiroz


Aliteração


Criado pela artista Maria Noujaim e o músico Savio de Queiroz, Aliteração é um jogo corporal e sonoro-linguístico onde o público presente é convidado a interagir. Três bolas-partitura definem três possibilidades de jogo e 18 combinações sonoras, fazendo com que a partitura seja tocada no jogar. Aliteração é uma dupla partitura: a bola descreve o jogo, o jogo descreve o som.


Maria Noujaim é artista, formada em Dança pela Escola Angel Vianna e doutoranda em História Social da Cultura pela PUC-Rio. A partir de uma prática que acontece no corpo, seu trabalho surge de movimentos conformados entre escultura e linguagem que carregam uma espacialidade própria através do uso de materiais e desenhos. Recentemente, vem ampliando sua prática através de experimentações pedagógicas com o grupo de pesquisa Dança e Poesia, e trabalhando com intérpretes que realizam suas performances a partir da leitura de um sistema de partituras. Realizou a exposição individual Recomeços: quatro inícios na Galeria Jaqueline Martins (São Paulo) e participou de exposições coletivas em espaços independentes e institucionais, como Observatório (São Paulo), Change-Change (Budapeste), Galeria Bruno Múrias (Lisboa), Oi Futuro (Rio) de Janeiro), Casa França-Brasil (Rio de Janeiro), entre outros. Em 2018 e 2019, foi indicada ao Prêmio PIPA (Brasil).


Savio de Queiroz é músico. Atualmente, além de seu trabalho solo, possui o selo Subsubtropics, toca na banda Teto Preto, no duo Preyra junto com Thingamajicks e desenvolve colaborações no âmbito do improviso livre. Foi um dos fundadores do selo 40% Foda/Maneiríssimo e participou do Domina, além de ter feito discos com Cadu Tenório como Ceticências. Já colaborou com diversos artistas visuais como Sidsel Meineche Hansen, Tobias Madison e Felipe Barsuglia, além de ter participado de exposições como Where is your god now? (Budapeste) e Arte Sonora (Rio de Janeiro).

O Yama O
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(Mana Records/ Japão)
https://manarecs.bandcamp.com/album/o-yama-o


O Yama O é um projeto musical formado pelas artistas japonesas radicadas em Londres, Keiko Yamamoto e Rie Nakajima. Utilizando uma combinação de dispositivos cinéticos e objetos encontrados – como brinquedos, tigelas de arroz, motores microscópicos, tambores, nozes, relógios e ruídos de vento –, as artistas criam paisagens sonoras inspiradas em rituais, antropologia, mitos e mundos sonoros do cotidiano. Seus trabalhos são muitas vezes compostos por canções de Yamamoto enquanto as construções de Nakajima escalam micro-orquestras em resposta direta a espaços arquitetônicos únicos.


Keiko Yamamoto trabalha com desenhos, papéis, música, vozes e dança. É fundadora, junto com Hamish Dunbar, do lendário Café OTO, o mais conhecido espaço para música e arte sonora da Europa.


Rie Nakajima é trabalha com instalações e performances que produzem som. Seus trabalhos são, na maioria das vezes, site specific, usando uma combinação de pequenos autômatos e objetos do dia a dia.

Tali on pills
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(Brasil)
https://www.facebook.com/talionpills/


Delírio Music Bar


Tali on pills é um dos muitos heterônimos de Natália Garcez, artista multimídia, cantora, compositora, performer e atriz. Nascida em Salvador, já transitou por diversas áreas da arte, incluindo teatro, dança, música e vídeo. Atualmente, sua pesquisa se encontra focada no universo da música eletrônica, onde mistura as referências punks do seu passado como vocalista de bandas de hardcore com teatralidade, performatividade, recortes autobiográficos associados a uma miscelânea de referências filosóficas, feministas e cinematográficas, numa intertextualidade que transforma suas apresentações em experiências únicas.


Delírio Music Bar é uma instalação performativa e musical onde Tali on pills traça uma narrativa que tensiona os lugares da canção, ora negando, ora colocando esta como expressão da dor, do sufoco e da ausência. O karaokê, tradição oriental de entretenimento e lazer, é ressignificado como um espaço coletivo de expurgação e catarse: um karaokê psicomágico. No trabalho, uma espécie de mixagem entre autoficção, memórias, sonoridades e imagens, a cantora, movida pela experiência da perda do seu pai, cuja voz se tornou silêncio dois anos e meio antes de seu falecimento, busca cantar a incomunicabilidade; cantar aquilo que geralmente não se comunica através da voz.

Beatriz Ferreyra
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(Argentina)
http://beatrizferreyra.odavia.com/


Beatriz Ferreyra iniciou sua carreira de compositora por acaso, tendo sido exposta aos métodos musicais de Pierre Schaeffer, criador da música concreta e da música acústica, e do Groupe de Recherches Musicales, pouco depois de se mudar da Argentina para Paris nos anos 1960. A paixão de Ferreyra por sons incomuns deu início a uma educação que levou à criação de seus próprios trabalhos eletroacústicos, além de colaborações com inventores de instrumentos alternativos como Bernard Baschet e papéis auxiliares na realização de composições pelo próprio Schaeffer. Figura importantíssima no desenvolvimento da música concreta, eletroacústica e acúsmática, Ferreyra trará para o Novas Frequências quatro peças criadas entre 1978 e 2018 que serão espacializadas em um sistema multicanal com oito alto-falantes. As obras (Senderos abismales, Echos, Rio de los pajaros, L’autre rive) giram em torno da astrofísicas e dos mistérios da existência, de músicas populares argentinas e brasileiras, de sonhos nos trópicos e, finalmente, do “Bardo Thodol”, o livro tibetano dos mortos. 

Chiara Banfi
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(Brasil)
https://www.chiarabanfi.com/


Abalo

Nascida em 1979, em São Paulo, Chiara Banfi vive e trabalha no Rio de Janeiro. Incluindo desenho, pintura e escultura, sua obra explora as relações entre memória, música, som e natureza. Conhecida por uma complexidade delicada, a artista adota em seu trabalho formas do reino natural e elementos visuais de várias áreas culturais. Abalo é uma série de vídeos abstratos onde a artista convida artistas do campo musical, como Pedro Sá, Diogo Strausz, Kassin, Pedro Bernardes, Natália Carrera, Joana Queiroz & Bruno Qual, Flávia Tygel, Patalanov, Nave, Mario Caldato e Thiago Nassif para criarem trilhas que dialogam diretamente com o ritmo oferecido pelas imagens.

France Jobin & bella
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(Canadá, Brasil)
http://www.francejobin.com/
https://www.bel-la.com/


Inter_fluxo


Desenvolvida pela canadense France Jobin e a carioca Bella, inter_fluxo é uma peça sonora inédita para ser ouvida especificamente em headphones durante um trajeto a pé pela cidade. O trajeto será divulgado na última semana de novembro e abraçará os bairros do Cosme Velho, Laranjeiras, Flamengo, Largo do Machado, Catete e Glória.


France Jobin é uma performer, curadora e artista sonora residente em Montreal, Canadá. Sua arte em áudio pode ser qualificada como algo batizado de “escultura de som”, revelando uma abordagem minimalista de ambientes sonoros complexos nos quais o analógico e o digital se cruzam. Suas instalações expressam um caminho paralelo, incorporando elementos musicais e visuais inspirados na arquitetura dos espaços físicos. Suas obras podem ser “experimentadas” em uma variedade de espaços não convencionais e novos festivais de tecnologia no Canadá, Estados Unidos, América do Sul, África do Sul, Europa e Japão.


Bella é uma artista brasileira que trabalha com som através de instalações, performances e caminhadas. Seu trabalho explora a relação entre aspectos físicos e conceituais da matéria-som, combinando equipamentos eletrônicos DIY com objetos encontrados – água, pedras, luzes e outros elementos. Tem colaborado com dança, teatro, cinema e artes visuais. Em 2016, foi premiada pela Binaural Nodar (Portugal) com a peça ementa das almas. Com dez anos de atividade, tem participado de residências artísticas no Brasil e na Europa. Suas peças sonoras já foram difundidas em rádios como BBC Late Junction, Resonance FM, WFMU e Documenta 14. Seu trabalho tem sido exibido e performado tanto no Brasil como em outros países da Europa, América Latina e Estados Unidos.

Lea Bertucci
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(NNA Tapes/ Estados Unidos)
http://lea-bertucci.com/


Axis, Rio


Lea Bertucci é uma compositora, performer e designer de som cujo trabalho descreve relações entre fenômenos acústicos e ressonância biológica. Além de sua prática instrumental com instrumentos de sopro, Bertucci frequentemente incorpora arrays de alto-falantes multicanal, feedback eletroacústico, técnica instrumental estendida e colagem de fitas. Nos últimos anos, seus projetos se desdobraram em investigações sônicas de arquitetura que respondem a questões específicas do local. Profundamente experimental, seu trabalho não tem medo de subverter a expectativa musical. Como designer de som, Bertucci colaborou com companhias de dança e teatro, incluindo a Big! Dance Theater, Pig Iron Theater, Piehole! e Mallory Catlett (Restless NYC). Em seu último trabalho, Resonant Field, Bertucci continua sua devoção a exploração de espaços físicos por meio do som, canalizando-os através de seu saxofone alto. Só que agora, o foco se restringe a um espaço em particular, o Marine A, um elevador de grãos em Buffalo, Nova York.


Especialmente para o Festival Novas Frequências, Lea Bertucci irá criar uma composição multicanal a partir de sons ambientes gravados durante uma mini-residência no Rio de Janeiro.

Martina Lussi
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(Latency/ Suiça)
https://martinalussi.ch/


Composition For A Circle


Original de Lucerne, na Suíça, Martina Lussi trabalha na interseção entre as artes plásticas, a música e a performance. Em sua obra, desafia dicotomias como consciente/inconsciente, poder/impotência e dentro/fora. Em essencial, o corpo do espectador sempre desempenha um papel essencial em suas peças. Detentora de um Mestrado de Artes em Contemporary Arts Practice pela Universidade de Berna, Lussi já apresentou seu trabalho em vários espaços de arte e em clubes em toda a Europa. Seu segundo álbum, Diffusion is a Force, se utiliza de fontes sonoras com uma certa qualidade desnorteadora – gravações de campo, instrumentação processada, elementos sintetizados e trechos de expressão humana – com o intuito de refletir sobre o clima de dispersão e distração em que vivemos.


Em Composition For A Circle, instalação que Martina Lussi irá apresentar no NF, gravações da guitarra fornecem a base para uma composição esférica e meditativa que, por meio de repetições deslocadas, constantemente geram novas estruturas sônicas.

Philip Vermeulen
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(Holanda)
https://www.philipvermeulen.com/


10 Meters of Sound


Philip Vermeulen é um artista holandês de Haia que cria instalações em larga escala como parte de uma pesquisa em andamento que possui como objetivo alterar estados psicológicos através da manipulação de fenômenos primários do som e do movimento da luz. Situado no campo de tensão entre a atração e o delírio, seu trabalho continua uma linhagem de arte experimental do grupo Zero, arte sonora, esculturas cinéticas e artes audiovisuais.


10 meters of sound é uma composição cinética audiovisual para cabos elásticos rotativos de alta velocidade e a interferência de seus padrões de ondas. Dois cabos elásticos conectados a motores são esticados 10 metros através de uma sala e giram em diferentes frequências em uma composição de ondas e padrões moiré.

Tim Shaw
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(Inglaterra)
https://tim-shaw.net/


A prática do inglês Tim Shaw se preocupa com as várias maneiras pelas quais as pessoas ouvem – especificamente em como os ambientes de audição podem ser construídos ou explorados utilizando uma ampla variedade de técnicas e tecnologias. Professor de Mídia Digital na Universidade de Newcastle, Shaw está interessado nas relações entre espaço, som e tecnologia; se apropriando de tecnologias de comunicação para explorar como esses dispositivos mudam a maneira como experimentamos o mundo. Apresentando trabalhos através de performances musicais, instalações, caminhadas sonoras e intervenções responsivas ao local, sua prática busca expor a mecânica dos sistemas através do som para revelar os aspectos ocultos dos
ambientes e das tecnologias.


Para o NF, Tim Shaw irá desenvolver uma instalação sonora que envolve um conjunto de dispositivos explorados e desenvolvidos durante uma residência de 20 dias na Serrinha do Alambari, pequena cidade localizada próximo à Serra de Itatiaia. O trabalho irá incorporar matérias-primas (água, rochas, objetos encontrados e plantas), tecnologias de escuta DIY, transceptores e alto-falantes esculturais. O evento oferecerá algum tipo de recriação da Serrinha do Alambari como sensor-paisagem, enfatizando a interação, a interferência e as camadas de suas múltiplas materialidades.

Bianca Tossato, Fernanda Paixão, Natália Carrera e Rebecca Nora
+

(Brasil)


ENCRUZILHADA

Idealizado pelas artistas Bianca Tossato, Fernanda Paixão, Natália Carrera e Rebecca Nora a partir de uma residência artística no ASA – Arte Sônica Amplificada, programa desenvolvido pelo Oi Futuro e o British Council, ENCRUZILHADA é o cruzamento sonoro das babilônias cariocas em formato de instalação/performance. Os corpos sociais e políticos que moldam a sonoridade do Rio de Janeiro reverberam e se desdobram na espacialidade, esculpindo texturas a partir de acontecimentos sonoros. O trabalho é construído em um jogo realizado nas ruas, de onde é extraída sua matéria-prima: sons de encruzilhadas das quatro zonas da cidade. Durante um horário específico, a instalação é ativada ao vivo através de performances que apresentam diferentes elaborações manipulativas da matéria sonora carioca: o compositor e artista sonoro Paulo Dantas, o bailarino Alan Athayde e a cantora e performer Clara Anastácia.

 

Bianca Tossato é compositora e artista sonora com mais de 10 anos dedicados à carreira acadêmica em Filosofia. Em 2018, iniciou o projeto de música experimental Agla Aëón, no qual explora sonoridades presentes no interior do som gravado e as narrativas abstratas que dele se desdobram. Fernanda Paixão é artista e educadora: som, corpo, imagem e plasticidade se bifurcam em seus trabalhos. Atualmente, é mestranda na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), pesquisa performance e integra a plataforma Performers Sem Fronteiras. Cantora e compositora suburbana, Rebecca Nora acredita na construção de narrativas contra-hegemônicas através de suas músicas – seu som é fortemente influenciado por samba, R&B e música pop. Guitarrista, produtora e compositora de trilhas musicais, Natália Carrera participou da fanfarra Cinebloco como arranjadora e regente, e do álbum Letrux em Noite de Climão, além de ter composto as músicas de diversas obras audiovisuais, como os documentários Luz Câmera Pichação (2011) e Tailor (2017).

Daniel Nunes & Leandro César
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(Brasil)
https://soundcloud.com/projetolise

https://www.facebook.com/leandrocesarmus/

 
Redemunho

Do encontro entre Daniel Nunes e Leandro César, a maquinação de um fazedor de ruídos eletrônicos intervém na artesania de um inventor de instrumentos no desejo de (re)criar uma miragem sonora, Redemunho. Minas Gerais enquanto um espaço saturado de dicotomias entre passado, presente e futuro, o confronto de cantos sagrados da terra com o barroco do ouro e a esperança de um horizonte perfurado pelos “sons de silício” faz este encontro (des)criar um território sonoro.  Redemunho é uma palavra achada ou (?) escutada pela coloquialidade ou pelo deslocamento no tempo através da oralidade e que formalmente remete a palavra redemoinho. 

Lançando-se ao imaginário da palavra, Redemunho gira em torno de eventos sonoros que vão se “(en)rolando” numa experiência de “(des)enrolar” o tempo. Em uma performance quadrifônica, instrumentos criados por Leandro são incorporados à espacialização sonora desenvolvida por Daniel em um concerto composto por temas de música popular, cantos ancestrais e imprevistos permeados por ambientações e texturas eletrônicas.

Daniel Nunes Coelho compõe trilhas para cinema, longas e curtas-metragens, teatro e internet. É criador do selo independente mineiro La Petite Chambre e idealizador do festival de música livre “Pequenas Sessões”. Seu trabalho vai além do universo musical ao permitir trocas com artistas de outras vertentes que passam pela videoarte, web-arte e performance. É membro da banda Constantina e projeto Lise, com discos lançados em Londres e nos Estados Unidos, shows apresentados em várias capitais brasileiras e países como Argentina, Estados Unidos e Europa. 

 

Leandro César é músico e construtor de instrumentos. Violonista, também se dedica à marimba, ao bandolim e a percussão, além de todos os instrumentos que cria. Trabalha com o grupo UAKTI na oficina de manutenção de seus instrumentos, e em turnês como técnico, já tendo excursionado por todo o Brasil, além dos Estados Unidos e diversos países da Europa. Muito influenciado por Walter Smetak e Marco Antônio Guimarães, Leandro César realiza a sequência de um importante trabalho de evolução das possibilidades musicais. 

Joaquim Pedro dos Santos & Aleta Valente
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(Brasil)
Tudo nosso nada deles


Joaquim Pedro dos Santos é multi-instrumentista que atualmente toca baixo na banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes. Também colabora com produção musical nos grupos Pscina e Rádio Lixo em discos, performances e instalações sonoras, além de ser produtor de artes visuais e manter uma galeria independente no centro de São Paulo, o Escritório Técnico.


Aleta Valente vive e trabalha no Rio de Janeiro. A artista, também conhecida por sua persona online @ex_miss_febem, utiliza-se do smartphone como ateliê onde pesquisa, edita e dispara conteúdos – tanto de produção autoral como apropriados – que tensionam a barreira entre a realidade e a ficção e trazem à tona questões sociais através de humor ácido.


Tudo nosso nada deles propõe a utilização de áudios de WhatsApp com intervenções sonoras e mixagem ao vivo. O projeto inédito busca remontar o impacto do áudio sobre nossa história recente, questionando limites entre fato e ficção, autoria e responsabilidade, e suas subsequentes implicações na sociedade contemporânea.

Loïc Koutana x NSDOS x Zorka Wollny
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(Internacional)
https://www.facebook.com/tetopretolive/
http://www.zorkawollny.net/
https://www.facebook.com/nsdoslazerconnect/


The Ceremony


Sound Cycles & Migratory Flows é uma ação performática do Novas Frequências que reúne a artista polonesa baseada em Berlim Zorka Wollny e os franceses NSDOS e Loïc Koutana (da banda Teto Preto). Desenvolvido em colaboração com os festivais CTM (Berlin, Alemanha) e Maintenant (Rennes, França) com o apoio do Instituto Goethe e do Instituto Francês, o projeto apresentará ideias sobre imigração, identidade e especificidades do espaço através da performance coletiva.


Há quatro anos, o modelo Loïc Koutana trocou Paris, sua cidade natal, por São Paulo. E foi no Brasil que o francês de origem africana desenvolveu não apenas sua carreira de modelo, como a de performer de dança contemporânea, atuando com alguns dos principais nomes da noite underground paulistana, como o grupo Teto Preto, de Laura Diaz, uma das idealizadoras da Mamba Negra. Multiartista, curador e também youtuber, Loïc Koutana em breve lançará seu primeiro disco, Ser, com produção de Zopelar.


Depois de estudar dança, NSDOS, também conhecido como Kirikoo Des, sentiu a necessidade de criar seu próprio som para explorar o movimento. Foi assim que começou a imaginar, por meio da abstração, toda uma nova ordem sonora, uma abordagem alternativa à música. Em algum momento chamado de “hacker do techno”, NSDOS distorce as ferramentas tecnológicas, criando um elo entre máquina e matéria. O artista coleta dados em tempo real, usando sensores ou dispositivos interativos, e os injeta no esqueleto retilíneo da música eletrônica para criar uma matriz orgânica, convidando o público a, junto com ele, empurrar os limites do corpo, dos objetos e do som.


Zorka Wollny cria composições acústicas para instituições, fábricas e edifícios vazios. Suas obras habitam o espaço entre arte, teatro e música contemporânea e estão sempre intimamente ligadas ao contexto histórico e funcional de espaços arquitetônicos específicos. Suas obras foram exibidas nas mais prestigiadas instituições de arte contemporânea e festivais de música em todo o mundo.


Participantes: Koffi Mawunam Donaldo Prosper Anthony, Andréia de Vasconcelos dos Santos, Eduardo Ibraim, Marta Bonimond, Mateus dos Santos Tiburi, Leandra Duarte Lambert Soares, Luiza Mascarenhas, Mana Lobato, Mariama Bah, Amanda Lebeis, Yuri Da Cunha Nunes Alvares, Victor de Oliveira Silva Ferreira, Hudyson Luiz Da Silva, Rodrigo With, Mpembele zoka elisee/ mc.lz, Sagrace Membe Lenga.

Natural Nihilismo
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(Brasil)
https://naturalnihilismohnw.bandcamp.com


Iniciado em 2014, o projeto de ruído extremo Natural Nihilismo tem como intuito formular uma reflexão sobre seres humanos que são invisibilizados pela sociedade e que vivem em condição de extrema pobreza.

Rafaela Rocha
+

(Brasil)
https://cargocollective.com/rafamrocha


SynaesthEat Chakras


Rafaela Rocha é artista e educadora do Rio de Janeiro, com mestrado em Arte e Ciência pela Central Saint Martins (Londres). Nos últimos anos, vem se dedicando ao estudo e à prática de terapias holísticas e educação Montessori, buscando forma de integrar esses saberes à sua prática artística. Interessada no encontro entre introspecção e coletividade, procura trazer à tona as sutis camadas emocionais, sensoriais e mentais que permeiam interações e rituais cotidianos.


Para o Novas Frequências, Rocha desenvolveu uma nova edição de SynaesthEat, gastro-performance criada em 2015 e apresentada na Alemanha, Inglaterra, Índia e Brasil, que explora os aspectos ritualísticos das refeições. Composto em parceria com o chef Onaldo Brancante, um estudioso das reflexões sobre nossos hábitos alimentares através de práticas culinárias conscientes, o cardápio de SynaesthEat Chakras é composto por sete experiências sensoriais.


Uma performance a cargo do terapeuta holístico argentino Beto Cragno harmoniza o jantar a partir de frequências sonoras associadas à estimulação de cada chakra. Mestre no uso do som como ferramenta de cura, Cragno combina frequências binaurais com instrumentos ancestrais, tambor xamânico, didgeridoo, flautas, harpas de boca, tongue-drums, canto de harmônicos e canto gutural.

André Damião & Gabriel Francisco Lemos
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(Brasil)
https://andredamiao.hotglue.me
https://vimeo.com/gabrielfranciscolemos



Guerra não linear

A composição participativa Guerra não linear explora diferentes relações entre ruído e arquitetura. Através de alto-falantes e dispositivos sonoros portáteis, músicos e público realizam um cortejo guiados por partituras visuais e verbais. O caminhar dos participantes constrói de maneira ativa um espaço sonoro móvel que se deforma com a arquitetura e os sons da cidade. O drone eletrônico torna perceptível a modulação do som pelo espaço. Logo, os becos e avenidas, além de imporem ao trabalho sua própria narrativa material e histórica, se tornam filtros sonoros que afetam os ruídos através de reflexões, ressonâncias e cancelamentos de faixas espectrais. A composição busca uma reflexão no limiar entre a conjunção destes elementos acústicos e os aspectos narrativos que podem emergir no trajeto do espaço urbano.


Artista e pesquisador, André Damião trabalha de maneira transversal entre os campos da música experimental e arte eletrônica. É Professor de Composição formado em Composição Eletroacústica pela UNESP com Mestrado e Doutorado em Sonologia – termo usado para descrever o estudo do som sob perspectivas estéticas e sociológicas. Suas pesquisas são focadas em questões sobre crítica da tecnologia, som e mobilidade, e, seu trabalho, muitas vezes aborda assuntos acerca da estética das interfaces e codificação em tempo real.


Gabriel Francisco Lemos é compositor, artista sonoro e professor. Graduado em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes e Composição pela UNESP, em 2018 obteve o título de Mestre em Musicologia e Estética com apoio FAPESP. Já se apresentou e teve composições estreadas em diversos festivais e eventos no Brasil, Londres, Chile, Mônaco e Portugal. Entre 2013 e 2016, colaborou com o Grupo de Percussão da Universidade de São Paulo (PIAP), compondo peças de percussão para ensemble e organizando concertos. Atualmente, trabalha no cruzamento entre a composição instrumental e eletrônica em ambientes externos às salas de concerto.

Bartira
+

(Brasil)
http://cargocollective.com/bartira


Temos sempre um pouco de pele na jogada

Bartira é produtora musical, artista de novas mídias, professora de arte & design e pesquisadora de tecnopolíticas. Sua prática perpassa instalação, performance eletrônica, oficinas, arte pública e participatória. A artista entende que existe uma colonização da música e do espaço sonoro, e com seus trabalhos, busca descentralizar essa autoridade ocidentalizada. Desta forma, investiga as formas nas quais estímulos sonoros desafiam arquiteturas de poder do espaço sônico, alimentando-se de implicações contemporâneas como a tecnopolítica global e as condições imateriais que permitem a circulação de corpos e os efeitos destes na identidade.

Para o Novas Frequências, Bartira fará uma intervenção sonora móvel – via Kombi – que combina texto, música e field recordings feitos no Rio de Janeiro. A intervenção buscará instigar a imaginação auditiva dos transeuntes, localizando a prática da escuta como um modo de experiência capaz de perturbar a ordem sônica imposta e de propor novas narrativas, modos de expressão e representação.

Beatriz Ferreyra
+

(Argentina)
http://beatrizferreyra.odavia.com/


Beatriz Ferreyra iniciou sua carreira de compositora por acaso, tendo sido exposta aos métodos musicais de Pierre Schaeffer, criador da música concreta e da música acústica, e do Groupe de Recherches Musicales, pouco depois de se mudar da Argentina para Paris nos anos 1960. A paixão de Ferreyra por sons incomuns deu início a uma educação que levou à criação de seus próprios trabalhos eletroacústicos, além de colaborações com inventores de instrumentos alternativos como Bernard Baschet e papéis auxiliares na realização de composições pelo próprio Schaeffer. Figura importantíssima no desenvolvimento da música concreta, eletroacústica e acúsmática, Ferreyra trará para o Novas Frequências quatro peças criadas entre 1978 e 2018 que serão espacializadas em um sistema multicanal com oito alto-falantes. As obras (Senderos abismales, Echos, Rio de los pajaros, L’autre rive) giram em torno da astrofísicas e dos mistérios da existência, de músicas populares argentinas e brasileiras, de sonhos nos trópicos e, finalmente, do “Bardo Thodol”, o livro tibetano dos mortos. 

Bianca Tossato, Fernanda Paixão, Natália Carrera e Rebecca Nora
+

(Brasil)


ENCRUZILHADA

Idealizado pelas artistas Bianca Tossato, Fernanda Paixão, Natália Carrera e Rebecca Nora a partir de uma residência artística no ASA – Arte Sônica Amplificada, programa desenvolvido pelo Oi Futuro e o British Council, ENCRUZILHADA é o cruzamento sonoro das babilônias cariocas em formato de instalação/performance. Os corpos sociais e políticos que moldam a sonoridade do Rio de Janeiro reverberam e se desdobram na espacialidade, esculpindo texturas a partir de acontecimentos sonoros. O trabalho é construído em um jogo realizado nas ruas, de onde é extraída sua matéria-prima: sons de encruzilhadas das quatro zonas da cidade. Durante um horário específico, a instalação é ativada ao vivo através de performances que apresentam diferentes elaborações manipulativas da matéria sonora carioca: o compositor e artista sonoro Paulo Dantas, o bailarino Alan Athayde e a cantora e performer Clara Anastácia.

 

Bianca Tossato é compositora e artista sonora com mais de 10 anos dedicados à carreira acadêmica em Filosofia. Em 2018, iniciou o projeto de música experimental Agla Aëón, no qual explora sonoridades presentes no interior do som gravado e as narrativas abstratas que dele se desdobram. Fernanda Paixão é artista e educadora: som, corpo, imagem e plasticidade se bifurcam em seus trabalhos. Atualmente, é mestranda na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), pesquisa performance e integra a plataforma Performers Sem Fronteiras. Cantora e compositora suburbana, Rebecca Nora acredita na construção de narrativas contra-hegemônicas através de suas músicas – seu som é fortemente influenciado por samba, R&B e música pop. Guitarrista, produtora e compositora de trilhas musicais, Natália Carrera participou da fanfarra Cinebloco como arranjadora e regente, e do álbum Letrux em Noite de Climão, além de ter composto as músicas de diversas obras audiovisuais, como os documentários Luz Câmera Pichação (2011) e Tailor (2017).

Cainã
+

(Brasil)
https://www.facebook.com/tantaoeosfita/


Produtor, músico e artista sonoro, Cainã Bomilcar é um dos criadores dos projetos coletivos Tantão e Os Fita, Radiolixo e Pista Delta. Como DJ, apresenta uma pesquisa de música eletrônica de pista com foco nos ritmos acelerados e na desconstrução dos mesmos. Mistura em seu set produções autorais e remixes além de flertar com o “turntablism” digital.

C É S A R
+

(Criminal Romantic/ Brasil)
https://ohcesar.bandcamp.com/


Inspirado no universo dos cineastas David Lynch, Wong Kar Wai e Jim Jarmush, e bebendo das fontes de Leonard Cohen, Serge Gainsbourg, Chet Baker, Nick Cave e Tom Waits, C É S A R dança romanticamente entre os contrapontos do amor, drogas, depressão e terapia. Sua apresentação no NF é acompanhada pelo guitarrista Bruno Palazzo, artista que tem como principal raison d’être contar histórias através da música e transformar ruídos em experiências sensoriais. Responsável pela instrumentação e produção do primeiro disco de C É S A R, Palazzo também atua como parte do coletivo Cão e produz trilhas sonoras e sound design.

Chiara Banfi
+

(Brasil)
https://www.chiarabanfi.com/


Abalo

Nascida em 1979, em São Paulo, Chiara Banfi vive e trabalha no Rio de Janeiro. Incluindo desenho, pintura e escultura, sua obra explora as relações entre memória, música, som e natureza. Conhecida por uma complexidade delicada, a artista adota em seu trabalho formas do reino natural e elementos visuais de várias áreas culturais. Abalo é uma série de vídeos abstratos onde a artista convida artistas do campo musical, como Pedro Sá, Diogo Strausz, Kassin, Pedro Bernardes, Natália Carrera, Joana Queiroz & Bruno Qual, Flávia Tygel, Patalanov, Nave, Mario Caldato e Thiago Nassif para criarem trilhas que dialogam diretamente com o ritmo oferecido pelas imagens.

Daniel Nunes & Leandro César
+

(Brasil)
https://soundcloud.com/projetolise

https://www.facebook.com/leandrocesarmus/

 
Redemunho

Do encontro entre Daniel Nunes e Leandro César, a maquinação de um fazedor de ruídos eletrônicos intervém na artesania de um inventor de instrumentos no desejo de (re)criar uma miragem sonora, Redemunho. Minas Gerais enquanto um espaço saturado de dicotomias entre passado, presente e futuro, o confronto de cantos sagrados da terra com o barroco do ouro e a esperança de um horizonte perfurado pelos “sons de silício” faz este encontro (des)criar um território sonoro.  Redemunho é uma palavra achada ou (?) escutada pela coloquialidade ou pelo deslocamento no tempo através da oralidade e que formalmente remete a palavra redemoinho. 

Lançando-se ao imaginário da palavra, Redemunho gira em torno de eventos sonoros que vão se “(en)rolando” numa experiência de “(des)enrolar” o tempo. Em uma performance quadrifônica, instrumentos criados por Leandro são incorporados à espacialização sonora desenvolvida por Daniel em um concerto composto por temas de música popular, cantos ancestrais e imprevistos permeados por ambientações e texturas eletrônicas.

Daniel Nunes Coelho compõe trilhas para cinema, longas e curtas-metragens, teatro e internet. É criador do selo independente mineiro La Petite Chambre e idealizador do festival de música livre “Pequenas Sessões”. Seu trabalho vai além do universo musical ao permitir trocas com artistas de outras vertentes que passam pela videoarte, web-arte e performance. É membro da banda Constantina e projeto Lise, com discos lançados em Londres e nos Estados Unidos, shows apresentados em várias capitais brasileiras e países como Argentina, Estados Unidos e Europa. 

 

Leandro César é músico e construtor de instrumentos. Violonista, também se dedica à marimba, ao bandolim e a percussão, além de todos os instrumentos que cria. Trabalha com o grupo UAKTI na oficina de manutenção de seus instrumentos, e em turnês como técnico, já tendo excursionado por todo o Brasil, além dos Estados Unidos e diversos países da Europa. Muito influenciado por Walter Smetak e Marco Antônio Guimarães, Leandro César realiza a sequência de um importante trabalho de evolução das possibilidades musicais. 

Éliane Radigue: Occam Ocean – Occam XXVI por Enrico Malatesta
+

(Itália/França)
http://enricomalatesta.com/


A francesa Éliane Radigue é uma pioneira musical que criou sua própria marca dentro da música eletrônica e da música eletroacústica desde os anos 60. Sua obra explora um estado lento e sempre transformador onde os sons parecem evoluir por conta própria, levando o ouvinte a uma jornada abstrata. No final dos anos 50, Radigue estudou técnicas de música eletroacústica no Club d’Essai da RTF (Radiodiffusion-Télévision Française) sob a direção de Pierre Schaeffer e Pierre Henry. Durante a maior parte de sua carreira, escolheu trabalhar com um sintetizador ARP e uma fita de gravação média; a partir de 2005 começa a compor para instrumentos acústicos.


Enrico Malatesta é um percussionista italiano interessado em pesquisas experimentais sobre música, performance e pedagogia. Ele explora a relação entre som, espaço e movimento, com atenção às possibilidades multimateriais dos instrumentos percussivos. Esta pesquisa coloca uma forte ênfase no potencial do material para produzir uma multiplicidade de informações através de ações simples, o movimento e a experiência de ouvir e a sustentabilidade da presença do intérprete.


Para o Novas Frequências, Enrico Malatesta irá apresentar Occam XXVI (2018), peça de Éliane Radigue para dois pratos curvos e um tambor de moldura.

Encarne
+

(Brasil)
https://seminalrecords.bandcamp.com/album/theres-no-such-animal
https://www.behance.net/olivialunadoppel


Síntese sonora, ruído e repetição são as principais características do Encarne, duo formado por Sanannda Acácia e Olivia Luna. Utilizam “percursos e procedimentos sonoros que conjuram a presença animalesca da vulnerabilidade.” Sanannda é artista sonora e visual com interesses nos processos e limitações físicas dos equipamentos como meios de produção, utilizando fitas k7, feedback looper, técnicas de sampling, pedais de guitarra e síntese. Se apresenta como QUASICRYSTAL, Crusty e Insignificando, e colabora com Bella no projeto ARCOFLUXO. É membro do selo de música independente Seminal Records, onde colabora com a curadoria, organização e linguagem visual. Gere e idealiza coletivamente o Fosso, um espaço de ateliê e eventos que relacionam arte visual, sonora e pensamento teórico. Olivia Luna é artista e pesquisadora visual e sonora com produções enraizadas no experimentalismo e ruidagem. Recentemente se apresenta com o DOPPEL, seu projeto solo e em colaborações com O EXÍLIO, ao lado de Rayra Costa. Desde 2014, atua na área de artes visuais, com ênfase em estudos do corpo/paisagem e o grotesco, relacionando com a fotografia, vídeo, gravura e ruídos.

France Jobin & bella
+

(Canadá, Brasil)
http://www.francejobin.com/
https://www.bel-la.com/


Inter_fluxo


Desenvolvida pela canadense France Jobin e a carioca Bella, inter_fluxo é uma peça sonora inédita para ser ouvida especificamente em headphones durante um trajeto a pé pela cidade. O trajeto será divulgado na última semana de novembro e abraçará os bairros do Cosme Velho, Laranjeiras, Flamengo, Largo do Machado, Catete e Glória.


France Jobin é uma performer, curadora e artista sonora residente em Montreal, Canadá. Sua arte em áudio pode ser qualificada como algo batizado de “escultura de som”, revelando uma abordagem minimalista de ambientes sonoros complexos nos quais o analógico e o digital se cruzam. Suas instalações expressam um caminho paralelo, incorporando elementos musicais e visuais inspirados na arquitetura dos espaços físicos. Suas obras podem ser “experimentadas” em uma variedade de espaços não convencionais e novos festivais de tecnologia no Canadá, Estados Unidos, América do Sul, África do Sul, Europa e Japão.


Bella é uma artista brasileira que trabalha com som através de instalações, performances e caminhadas. Seu trabalho explora a relação entre aspectos físicos e conceituais da matéria-som, combinando equipamentos eletrônicos DIY com objetos encontrados – água, pedras, luzes e outros elementos. Tem colaborado com dança, teatro, cinema e artes visuais. Em 2016, foi premiada pela Binaural Nodar (Portugal) com a peça ementa das almas. Com dez anos de atividade, tem participado de residências artísticas no Brasil e na Europa. Suas peças sonoras já foram difundidas em rádios como BBC Late Junction, Resonance FM, WFMU e Documenta 14. Seu trabalho tem sido exibido e performado tanto no Brasil como em outros países da Europa, América Latina e Estados Unidos.

Joaquim Pedro dos Santos & Aleta Valente
+

(Brasil)
Tudo nosso nada deles


Joaquim Pedro dos Santos é multi-instrumentista que atualmente toca baixo na banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes. Também colabora com produção musical nos grupos Pscina e Rádio Lixo em discos, performances e instalações sonoras, além de ser produtor de artes visuais e manter uma galeria independente no centro de São Paulo, o Escritório Técnico.


Aleta Valente vive e trabalha no Rio de Janeiro. A artista, também conhecida por sua persona online @ex_miss_febem, utiliza-se do smartphone como ateliê onde pesquisa, edita e dispara conteúdos – tanto de produção autoral como apropriados – que tensionam a barreira entre a realidade e a ficção e trazem à tona questões sociais através de humor ácido.


Tudo nosso nada deles propõe a utilização de áudios de WhatsApp com intervenções sonoras e mixagem ao vivo. O projeto inédito busca remontar o impacto do áudio sobre nossa história recente, questionando limites entre fato e ficção, autoria e responsabilidade, e suas subsequentes implicações na sociedade contemporânea.

Kenya
+

(Brasil)
https://soundcloud.com/kenya20hz


Inspirada por gêneros da cultura underground, Kenya é uma pesquisadora voraz de sonoridades que abrangem todos os ritmos que possuem o Grave como principal essência, com frequências que vão do rebolativo ao experimental passando pelo Bass, Eletrônico e Trap. Em 2016, se apresentou na Argentina como headliner no palco do festa Bullybass, um dos mais famosos eventos de Dubstep da America Latina, por onde já passaram nomes como Mala, N-Type e Ikonika. No Brasil, já tocou nas principais festas da cena, assim como em grandes festivais como ‘SP na Rua’, e ‘Viradão Cultural”. Já se apresentou ao lado de Flora Matos, Rael da Rima, Pirâmide Perdida, Rincon Sapiência, Luedji Luna, Tássia Reis, Djonga, dentre outros. Recentemente, participou do ASA – Arte Sônica Amplificada, programa desenvolvido pelo Oi Futuro e o British Council.

Lawrence English
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(Room 40, Important/ Austrália)
https://www.lawrenceenglish.com/


Amazon Field Recording Live Set


Lawrence English é um compositor, artista e curador baseado em Brisbane, na Austrália. Trabalhando em um eclético conjunto de investigações estéticas, seu trabalho incita questões sobre campo, percepção e memória. English investiga as políticas da percepção através da performance ao vivo e da instalação para criar obras que refletem sutis transformações do espaço e que exigem do público uma conscientização daquilo que existe no limite da percepção. Sua obra questiona as relações estabelecidas entre som e estrutura – gravações de campo e materiais musicais que trabalham em uníssono, atuando como dispositivos sugestivos. É amplamente publicado em respeitadas gravadoras, incluindo Touch, 12K, Important, Temporary Residence e o seu próprio selo, Room40. Já gravou com William Basinski, Ben Frost, Xiu Xiu, Alessandro Cortini, Akio Suzuki e Francisco López.


A pedido do Novas Frequências, Lawrence English irá apresentar uma performance multicanal baseada em sons ambientes gravados por ele durante uma residência na Amazônia.

Lea Bertucci
+

(NNA Tapes/ Estados Unidos)
http://lea-bertucci.com/


Axis, Rio


Lea Bertucci é uma compositora, performer e designer de som cujo trabalho descreve relações entre fenômenos acústicos e ressonância biológica. Além de sua prática instrumental com instrumentos de sopro, Bertucci frequentemente incorpora arrays de alto-falantes multicanal, feedback eletroacústico, técnica instrumental estendida e colagem de fitas. Nos últimos anos, seus projetos se desdobraram em investigações sônicas de arquitetura que respondem a questões específicas do local. Profundamente experimental, seu trabalho não tem medo de subverter a expectativa musical. Como designer de som, Bertucci colaborou com companhias de dança e teatro, incluindo a Big! Dance Theater, Pig Iron Theater, Piehole! e Mallory Catlett (Restless NYC). Em seu último trabalho, Resonant Field, Bertucci continua sua devoção a exploração de espaços físicos por meio do som, canalizando-os através de seu saxofone alto. Só que agora, o foco se restringe a um espaço em particular, o Marine A, um elevador de grãos em Buffalo, Nova York.


Especialmente para o Festival Novas Frequências, Lea Bertucci irá criar uma composição multicanal a partir de sons ambientes gravados durante uma mini-residência no Rio de Janeiro.

Loïc Koutana x NSDOS x Zorka Wollny
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(Internacional)
https://www.facebook.com/tetopretolive/
http://www.zorkawollny.net/
https://www.facebook.com/nsdoslazerconnect/


The Ceremony


Sound Cycles & Migratory Flows é uma ação performática do Novas Frequências que reúne a artista polonesa baseada em Berlim Zorka Wollny e os franceses NSDOS e Loïc Koutana (da banda Teto Preto). Desenvolvido em colaboração com os festivais CTM (Berlin, Alemanha) e Maintenant (Rennes, França) com o apoio do Instituto Goethe e do Instituto Francês, o projeto apresentará ideias sobre imigração, identidade e especificidades do espaço através da performance coletiva.


Há quatro anos, o modelo Loïc Koutana trocou Paris, sua cidade natal, por São Paulo. E foi no Brasil que o francês de origem africana desenvolveu não apenas sua carreira de modelo, como a de performer de dança contemporânea, atuando com alguns dos principais nomes da noite underground paulistana, como o grupo Teto Preto, de Laura Diaz, uma das idealizadoras da Mamba Negra. Multiartista, curador e também youtuber, Loïc Koutana em breve lançará seu primeiro disco, Ser, com produção de Zopelar.


Depois de estudar dança, NSDOS, também conhecido como Kirikoo Des, sentiu a necessidade de criar seu próprio som para explorar o movimento. Foi assim que começou a imaginar, por meio da abstração, toda uma nova ordem sonora, uma abordagem alternativa à música. Em algum momento chamado de “hacker do techno”, NSDOS distorce as ferramentas tecnológicas, criando um elo entre máquina e matéria. O artista coleta dados em tempo real, usando sensores ou dispositivos interativos, e os injeta no esqueleto retilíneo da música eletrônica para criar uma matriz orgânica, convidando o público a, junto com ele, empurrar os limites do corpo, dos objetos e do som.


Zorka Wollny cria composições acústicas para instituições, fábricas e edifícios vazios. Suas obras habitam o espaço entre arte, teatro e música contemporânea e estão sempre intimamente ligadas ao contexto histórico e funcional de espaços arquitetônicos específicos. Suas obras foram exibidas nas mais prestigiadas instituições de arte contemporânea e festivais de música em todo o mundo.


Participantes: Koffi Mawunam Donaldo Prosper Anthony, Andréia de Vasconcelos dos Santos, Eduardo Ibraim, Marta Bonimond, Mateus dos Santos Tiburi, Leandra Duarte Lambert Soares, Luiza Mascarenhas, Mana Lobato, Mariama Bah, Amanda Lebeis, Yuri Da Cunha Nunes Alvares, Victor de Oliveira Silva Ferreira, Hudyson Luiz Da Silva, Rodrigo With, Mpembele zoka elisee/ mc.lz, Sagrace Membe Lenga.

Luigi Archetti
+

(Itália/Suiça)
http://www.luigiarchetti.com/


apresenta: NULL


Luigi Archetti é compositor e artista sonoro cujo trabalho gira em torno da interface entre a arte e a música. Em suas instalações, utiliza desenho, pintura, vídeo e som para criar sistemas de referência complexos e espaços tensos e altamente estéticos. Seu vocabulário musical se manifesta não apenas nas ideias e no modo como as obras são realizadas, mas também no uso de objetos e conceitos desse gênero. Archetti encena o espaço como um portador de imagens em que vários impulsos – visuais e tonais – se encontram.


Para o Novas Frequências, este italiano radicado na Suíça irá apresentar NULL, peça para guitarra processada com 7 horas de duração que se caracteriza por sons estáticos, drones e sobreposições de camadas. Desenvolvido ao longo de cinco anos, Archetti NULL serve de metáfora a sensação de espera, de antecipação, de pausa. Com seus drones em escala cinzenta e som estático, NULL nos convida a observar os mundos das salas de espera em que passamos nossos dias e a viajar em regiões desconhecidas, uma jornada hipnoticamente cativante através de eventos acústicos atemporais e minimalistas.

Maria Noujaim & Savio de Queiroz
+

(Brasil)
https://vimeo.com/260074739
https://soundcloud.com/savioqueiroz


Aliteração


Criado pela artista Maria Noujaim e o músico Savio de Queiroz, Aliteração é um jogo corporal e sonoro-linguístico onde o público presente é convidado a interagir. Três bolas-partitura definem três possibilidades de jogo e 18 combinações sonoras, fazendo com que a partitura seja tocada no jogar. Aliteração é uma dupla partitura: a bola descreve o jogo, o jogo descreve o som.


Maria Noujaim é artista, formada em Dança pela Escola Angel Vianna e doutoranda em História Social da Cultura pela PUC-Rio. A partir de uma prática que acontece no corpo, seu trabalho surge de movimentos conformados entre escultura e linguagem que carregam uma espacialidade própria através do uso de materiais e desenhos. Recentemente, vem ampliando sua prática através de experimentações pedagógicas com o grupo de pesquisa Dança e Poesia, e trabalhando com intérpretes que realizam suas performances a partir da leitura de um sistema de partituras. Realizou a exposição individual Recomeços: quatro inícios na Galeria Jaqueline Martins (São Paulo) e participou de exposições coletivas em espaços independentes e institucionais, como Observatório (São Paulo), Change-Change (Budapeste), Galeria Bruno Múrias (Lisboa), Oi Futuro (Rio) de Janeiro), Casa França-Brasil (Rio de Janeiro), entre outros. Em 2018 e 2019, foi indicada ao Prêmio PIPA (Brasil).


Savio de Queiroz é músico. Atualmente, além de seu trabalho solo, possui o selo Subsubtropics, toca na banda Teto Preto, no duo Preyra junto com Thingamajicks e desenvolve colaborações no âmbito do improviso livre. Foi um dos fundadores do selo 40% Foda/Maneiríssimo e participou do Domina, além de ter feito discos com Cadu Tenório como Ceticências. Já colaborou com diversos artistas visuais como Sidsel Meineche Hansen, Tobias Madison e Felipe Barsuglia, além de ter participado de exposições como Where is your god now? (Budapeste) e Arte Sonora (Rio de Janeiro).

Martina Lussi
+

(Latency/ Suiça)
https://martinalussi.ch/


Composition For A Circle


Original de Lucerne, na Suíça, Martina Lussi trabalha na interseção entre as artes plásticas, a música e a performance. Em sua obra, desafia dicotomias como consciente/inconsciente, poder/impotência e dentro/fora. Em essencial, o corpo do espectador sempre desempenha um papel essencial em suas peças. Detentora de um Mestrado de Artes em Contemporary Arts Practice pela Universidade de Berna, Lussi já apresentou seu trabalho em vários espaços de arte e em clubes em toda a Europa. Seu segundo álbum, Diffusion is a Force, se utiliza de fontes sonoras com uma certa qualidade desnorteadora – gravações de campo, instrumentação processada, elementos sintetizados e trechos de expressão humana – com o intuito de refletir sobre o clima de dispersão e distração em que vivemos.


Em Composition For A Circle, instalação que Martina Lussi irá apresentar no NF, gravações da guitarra fornecem a base para uma composição esférica e meditativa que, por meio de repetições deslocadas, constantemente geram novas estruturas sônicas.

Natural Nihilismo
+

(Brasil)
https://naturalnihilismohnw.bandcamp.com


Iniciado em 2014, o projeto de ruído extremo Natural Nihilismo tem como intuito formular uma reflexão sobre seres humanos que são invisibilizados pela sociedade e que vivem em condição de extrema pobreza.

Oren Ambarchi
+

(Editions Mego, Black Truffle/ Austrália)
www.orenambarchi.com


As obras do australiano Oren Ambarchi são formas sonoras estendidas, hesitantes e tensas, localizadas nas fendas entre várias escolas: música eletrônica contemporânea, improvisação, minimalismo, a fisicalidade do rock e as suspensões temporais de compositores como Morton Feldman e Alvin Lucier. A partir do final dos anos 90, seus experimentos abstratos com guitarra, utilizando o instrumento de forma não-usual, o levaram a um mundo sonoro mais pessoal e único, incorporando uma paleta mais ampla de instrumentos e sensibilidades, empregando, por exemplo, gaita de vidro, cordas, sinos, piano e percussão. Ambarchi, considerado um dos maiores e mais prolíficos artistas da música de invenção, já se apresentou e gravou com uma gama diversificada de nomes como Keiji Haino, Stephen O’Malley, Fennesz, Phill Niblock, John Zorn, Annea Lockwood, Manuel Gottsching, Merzbow, Jim O’Rourke, Akio Suzuki, Richard Pinhas e Evan Parker. Seu último lançamento é Simian Angel, trabalho que conta com a participação do lendário percussionista brasileiro Cyro Baptista.

O Yama O
+

(Mana Records/ Japão)
https://manarecs.bandcamp.com/album/o-yama-o


O Yama O é um projeto musical formado pelas artistas japonesas radicadas em Londres, Keiko Yamamoto e Rie Nakajima. Utilizando uma combinação de dispositivos cinéticos e objetos encontrados – como brinquedos, tigelas de arroz, motores microscópicos, tambores, nozes, relógios e ruídos de vento –, as artistas criam paisagens sonoras inspiradas em rituais, antropologia, mitos e mundos sonoros do cotidiano. Seus trabalhos são muitas vezes compostos por canções de Yamamoto enquanto as construções de Nakajima escalam micro-orquestras em resposta direta a espaços arquitetônicos únicos.


Keiko Yamamoto trabalha com desenhos, papéis, música, vozes e dança. É fundadora, junto com Hamish Dunbar, do lendário Café OTO, o mais conhecido espaço para música e arte sonora da Europa.


Rie Nakajima é trabalha com instalações e performances que produzem som. Seus trabalhos são, na maioria das vezes, site specific, usando uma combinação de pequenos autômatos e objetos do dia a dia.

Philip Vermeulen
+

(Holanda)
https://www.philipvermeulen.com/


10 Meters of Sound


Philip Vermeulen é um artista holandês de Haia que cria instalações em larga escala como parte de uma pesquisa em andamento que possui como objetivo alterar estados psicológicos através da manipulação de fenômenos primários do som e do movimento da luz. Situado no campo de tensão entre a atração e o delírio, seu trabalho continua uma linhagem de arte experimental do grupo Zero, arte sonora, esculturas cinéticas e artes audiovisuais.


10 meters of sound é uma composição cinética audiovisual para cabos elásticos rotativos de alta velocidade e a interferência de seus padrões de ondas. Dois cabos elásticos conectados a motores são esticados 10 metros através de uma sala e giram em diferentes frequências em uma composição de ondas e padrões moiré.

Rafaela Rocha
+

(Brasil)
https://cargocollective.com/rafamrocha


SynaesthEat Chakras


Rafaela Rocha é artista e educadora do Rio de Janeiro, com mestrado em Arte e Ciência pela Central Saint Martins (Londres). Nos últimos anos, vem se dedicando ao estudo e à prática de terapias holísticas e educação Montessori, buscando forma de integrar esses saberes à sua prática artística. Interessada no encontro entre introspecção e coletividade, procura trazer à tona as sutis camadas emocionais, sensoriais e mentais que permeiam interações e rituais cotidianos.


Para o Novas Frequências, Rocha desenvolveu uma nova edição de SynaesthEat, gastro-performance criada em 2015 e apresentada na Alemanha, Inglaterra, Índia e Brasil, que explora os aspectos ritualísticos das refeições. Composto em parceria com o chef Onaldo Brancante, um estudioso das reflexões sobre nossos hábitos alimentares através de práticas culinárias conscientes, o cardápio de SynaesthEat Chakras é composto por sete experiências sensoriais.


Uma performance a cargo do terapeuta holístico argentino Beto Cragno harmoniza o jantar a partir de frequências sonoras associadas à estimulação de cada chakra. Mestre no uso do som como ferramenta de cura, Cragno combina frequências binaurais com instrumentos ancestrais, tambor xamânico, didgeridoo, flautas, harpas de boca, tongue-drums, canto de harmônicos e canto gutural.

Schtum
+

(Áustria)
http://www.schtum.at/


A dupla austríaca Schtum, composta pelo baixista Manu Mayr e pelo guitarrista Robert Pockfuß, se concentra no espectro acústico e eletrônico, empregando oscilações de ritmo controlado, ruído e microtonalidade. Em seu mundo de loops de feedback estridentes, interferência de graves e vibração de ruído, um campo de ação eletroacústico é criado. Através do uso de instrumentos ao vivo, ao mesmo tempo em que expandem seus horizontes como instrumentistas, a dupla desenvolve uma versão original de noise e de música eletrônica contemporânea. Manu Mayr é contrabaixista formado em jazz e música clássica. Robert Pockfuß é guitarrista, improvisador e compositor; sua produção musical vai da música contemporânea à nova música folclórica.

Tali on pills
+

(Brasil)
https://www.facebook.com/talionpills/


Delírio Music Bar


Tali on pills é um dos muitos heterônimos de Natália Garcez, artista multimídia, cantora, compositora, performer e atriz. Nascida em Salvador, já transitou por diversas áreas da arte, incluindo teatro, dança, música e vídeo. Atualmente, sua pesquisa se encontra focada no universo da música eletrônica, onde mistura as referências punks do seu passado como vocalista de bandas de hardcore com teatralidade, performatividade, recortes autobiográficos associados a uma miscelânea de referências filosóficas, feministas e cinematográficas, numa intertextualidade que transforma suas apresentações em experiências únicas.


Delírio Music Bar é uma instalação performativa e musical onde Tali on pills traça uma narrativa que tensiona os lugares da canção, ora negando, ora colocando esta como expressão da dor, do sufoco e da ausência. O karaokê, tradição oriental de entretenimento e lazer, é ressignificado como um espaço coletivo de expurgação e catarse: um karaokê psicomágico. No trabalho, uma espécie de mixagem entre autoficção, memórias, sonoridades e imagens, a cantora, movida pela experiência da perda do seu pai, cuja voz se tornou silêncio dois anos e meio antes de seu falecimento, busca cantar a incomunicabilidade; cantar aquilo que geralmente não se comunica através da voz.

Tim Shaw
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(Inglaterra)
https://tim-shaw.net/


A prática do inglês Tim Shaw se preocupa com as várias maneiras pelas quais as pessoas ouvem – especificamente em como os ambientes de audição podem ser construídos ou explorados utilizando uma ampla variedade de técnicas e tecnologias. Professor de Mídia Digital na Universidade de Newcastle, Shaw está interessado nas relações entre espaço, som e tecnologia; se apropriando de tecnologias de comunicação para explorar como esses dispositivos mudam a maneira como experimentamos o mundo. Apresentando trabalhos através de performances musicais, instalações, caminhadas sonoras e intervenções responsivas ao local, sua prática busca expor a mecânica dos sistemas através do som para revelar os aspectos ocultos dos
ambientes e das tecnologias.


Para o NF, Tim Shaw irá desenvolver uma instalação sonora que envolve um conjunto de dispositivos explorados e desenvolvidos durante uma residência de 20 dias na Serrinha do Alambari, pequena cidade localizada próximo à Serra de Itatiaia. O trabalho irá incorporar matérias-primas (água, rochas, objetos encontrados e plantas), tecnologias de escuta DIY, transceptores e alto-falantes esculturais. O evento oferecerá algum tipo de recriação da Serrinha do Alambari como sensor-paisagem, enfatizando a interação, a interferência e as camadas de suas múltiplas materialidades.